O futuro dos idosos: desafios e soluções

O envelhecimento populacional é uma realidade inegável, e suas repercussões já são percebidas de maneira contundente. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), até 2050, cerca de 2 bilhões de pessoas terão mais de 60 anos, representando um quinto da população global. No contexto brasileiro, dados do Ministério da Saúde alertam para a crescente proporção de idosos, prevendo que, até 2030, eles ultrapassarão as crianças entre zero e 14 anos.

A cidade de São Paulo, em particular, está à frente desse fenômeno, apresentando um crescimento exponencial da população idosa. Segundo estudo da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento, a metrópole já abriga mais de 2 milhões de idosos, evidenciando um aumento de 51,1% entre 2010 e 2022. Essa tendência é observada não apenas na capital paulista, mas em todo o país, com um incremento de 56% na população idosa no mesmo período.

Com uma população idosa que representa cerca de 15% do total de brasileiros, ou seja, aproximadamente 32 milhões de pessoas, segundo dados do IBGE, ganham relevância propostas para que esse grupo esteja cada vez mais incluído e amparado em nossa sociedade. Na esfera federal, por exemplo, uma rápida pesquisa nos sites da Câmara e do Senado mostra que já são dezenas de projetos de lei voltados para a melhoria da qualidade de vida dos idosos tramitando no Congresso Nacional.

 

Dentre as propostas em discussão, destacam-se as que buscam proporcionar mais proteção e critérios rigorosos para empréstimos consignados aos idosos, visando evitar a exploração e os maus-tratos, muitas vezes perpetrados por familiares, que buscam se apossar dos valores das aposentadorias. Outras estão voltadas para a inserção no mercado de trabalho, buscando estimular a atividade e a geração de renda para os idosos. Além disso, há iniciativas para assegurar atendimento preferencial no comércio e na rede de saúde pública e privada, bem como melhorias nos serviços oferecidos pelos planos de saúde.

No que diz respeito à habitação para idosos no Brasil, tema que já abordei em outro artigo, é urgente que o governo promova políticas públicas que incentivem a construção de moradias adaptadas às necessidades específicas desse público, como unidades em condomínios com estrutura de apoio e acessibilidade, a exemplo do condomínio Vila dos Idosos, no Fazenda Grande, em Jundiaí.
Investimentos em projetos habitacionais voltados exclusivamente para idosos, com subsídios e incentivos fiscais para construtoras, bem como prestação de serviços de saúde e comércio dentro desses condomínios, podem contribuir significativamente para suprir essa demanda crescente.

Além da moradia, a inclusão digital dos idosos é fundamental para garantir sua participação plena na sociedade contemporânea. Programas de capacitação e acesso gratuito à tecnologia devem ser implementados em larga escala, proporcionando habilidades necessárias para lidar com as ferramentas digitais e se manterem conectados com familiares, amigos e serviços online.

Outro aspecto crucial é a reinserção dos idosos no mercado de trabalho. Hoje, o público com mais de 60 anos representa 24% dos trabalhadores ativos no Brasil, segundo dados do IBGE. Incentivos para empresas contratarem idosos em seus quadros de funcionários, como redução de encargos trabalhistas e subsídios para capacitação profissional, podem contribuir para a valorização e a permanência desse grupo na força de trabalho, aproveitando sua vasta experiência e conhecimento.

Diante deste cenário em que o envelhecimento populacional é uma realidade crescente, governos e sociedade precisam se unir para enfrentar os desafios e promover soluções que garantam o bem-estar e a inclusão dos idosos. É hora de agir de forma coordenada e abrangente, reconhecendo o valor e o potencial de uma população idosa engajada que contribui ativamente para o desenvolvimento do nosso País.

Miguel Haddad

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