Na nova Economia Verde o Brasil pode ser campeão

De uns tempos para cá, algumas pessoas têm, com boa intenção, me advertido por estar tocando, vamos dizer, um samba de uma nota só, ao abordar seguidamente a questão do desequilíbrio do clima.

O que essa reação mostra de fato é a desinformação da opinião pública brasileira sobre não apenas as ameaças reais do desequilíbrio do clima – uma catástrofe que pode acabar com a vida na Terra como conhecemos – mas, também, sobre a oportunidade única que encerra, de fazer nosso país avançar e se tornar finalmente uma nação desenvolvida.

Para se ter uma ideia do que estamos falando: a consultoria McKinsey, uma das três maiores consultorias estratégicas do mundo, calcula que o Brasil  tem uma posição privilegiada na cadeia de valor do hidrogênio verde – que deve substituir, em termos de valor, o petróleo – podendo movimentar US$200 bilhões (por volta de R$1 trilhão) até 2040, conforme publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 10 de abril.

É triste ver como corremos o risco de perder essa oportunidade única por termos, como diz a economista Zeina Latif –  e tenho repetido – o olhar voltado para o passado e resistirmos, hoje como ontem, em todos os aspectos da vida nacional, seja nos costumes, seja na economia, a medidas modernizadoras. Para se ter uma ideia do que isso significa, basta dizer que a Lei do Divórcio demorou 40 anos para ser aprovada no Congresso.

Com a minha experiência de homem público, posso dizer que foi exatamente o olhar voltado para o futuro que permitiu a Jundiaí dar um salto em seu desenvolvimento e se tornar, no espaço de poucas décadas, uma das cidades mais dinâmicas do País.

A boa notícia é que a grande imprensa finalmente começa a dar destaque ao que de fato importa: em outra matéria recente do jornal O Estado de S. Paulo, de 8 de abril, uma matéria na primeira página  com o título “Brasil pode liderar transição energética, mas está atrasado”, dá início a uma série de reportagens que abordam a possibilidade real do País tornar-se protagonista mundial na nova Economia Verde.

As razões para isso, segundo o Estadão, são claras: “A conta para a descarbonização brasileira é mais barata graças às suas fontes de energia. Enquanto parte do mundo precisa trocar o carvão por uma fonte limpa, o Brasil já tem 48,5% de sua matriz energética ligada a fontes renováveis, como água e vento. A média no mundo é de 15%.”

Como diz Henrique Ceotto, sócio da consultoria McKinsey: “Investir em descarbonização no Brasil não é apenas sobre zerar as emissões líquidas, é sobre criar um benefício econômico relevante para o País. Pelas nossas características, temos uma competitividade muito grande nas cadeias para descarbonizar a economia global”.

Até recentemente o primeiro entre os emergentes na lista da descarbonização, o Brasil está perdendo essa posição. Entre 2014 e 2023, o País avançou 4,61 pontos no “Índice de Transição Energética”, atingindo uma “nota” de 69,9, enquanto países como China e Índia ganharam, respectivamente, 12,78 pontos e 7,97 pontos. Hoje, o índice chinês é de 64,9 e o indiano, de 54,3.

De acordo com o relatório do Fórum Econômico Mundial,  embora o Brasil tenha feito progressos na criação de um ambiente robusto propício à transição energética, “é necessário mais esforço para oferecer um ambiente político estável apoiado por metas ambiciosas para acelerar a transição. O principal desafio do governo é estruturar as políticas públicas necessárias para colocar o país como líder mundial em energia limpa ao mesmo tempo em que aproveita seus significativos recursos de óleo e gás”.

Ou seja, mesmo contando com vantagens naturais e uma matriz energética baseada em fontes renováveis, nosso país corre o risco de mais uma vez, como aconteceu no passado, quando perdemos o bonde da Revolução Industrial, perder agora o bonde da Economia Verde, mesmo tendo todas as credenciais para ser um dos seus protagonistas.

Para reverter esse quadro, precisamos aprender com os erros do passado, mas ter o olhar voltado para o futuro. Afinal, quem não aprende com os erros do passado está condenado a repeti-los.
Miguel Haddad

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