Uma nova visão: o papel das cidades no combate ao desequilíbrio do clima

A devastação que os fenômenos climáticos têm causado não deixa mais margem a dúvidas: precisamos tomar providências, tão drásticas quanto urgentes, para evitar o colapso do intrincado mecanismo que regula o clima terrestre. Um dos entendimentos recentes mais importantes nesse sentido, e que a cada dia se mostra mais evidente, é o papel central das cidades no enfrentamento desse desafio. Objetivamente, isso significa integrar os municípios na nova economia, a Economia Verde.

Afinal, o que é a Economia Verde? Basicamente, a maneira encontrada para evitar o desequilíbrio do clima. Funciona assim: a causa do desequilíbrio é o aumento da temperatura da atmosfera terrestre. O que esquenta a atmosfera é a emissão de gases poluentes, como o gás carbônico. A solução, portanto, é substituir a economia atual por uma economia movida a máquinas que não emitem esses gases. Estamos, no presente, dando os primeiros passos nessa direção.

Para realizar essa transição, contamos com vários recursos como, por exemplo, a ampliação das áreas florestais – as árvores aspiram o gás carbônico da atmosfera e, com suas raízes, o deixam enterrado ou, como se diz, sequestrado, no fundo do solo – e, ainda, e isso é essencial, a adequação das cidades às demandas dessa nova economia.

Como implementar essas medidas? O caminho encontrado para viabilizar a Economia Verde foi tornar o combate ao desequilíbrio do clima uma nova oportunidade de negócios. Para isso, foi criado, por acordo mútuo entre as nações, uma nova mercadoria – ou seja, um bem que pode ser negociado no mercado – o Crédito de Carbono. Cada Crédito equivale ao sequestro de uma tonelada de carbono.

Funciona assim: para o Brasil, cuja matriz energética é quase toda alimentada por recursos renováveis e possui as maiores florestas do Planeta, é uma benesse: com a preservação e ampliação desses biomas, podemos gerar créditos de carbono, a nova fonte de riqueza, em grande quantidade. Já a Alemanha, por exemplo, cuja matriz energética depende quase exclusivamente de petróleo e carvão, eliminar, mesmo a médio prazo, a emissão de gás carbônico seria impossível. Para zerar sua conta, terão de adquirir no mercado créditos de carbono que compensem o déficit de suas emissões. Esse é o fundamento da Economia Verde, que viabiliza assim o que realmente importa: a eliminação dos efeitos catastróficos do aquecimento do clima.

As cidades estão na linha de frente dessa nova economia: podem implementar um sistema de transporte público não poluente, incentivar o uso do transporte coletivo em detrimento do individual, implementar políticas internas de gestão de resíduos, promover a eficiência energética em suas operações, investir em tecnologias verdes; estimular o uso responsável da água e incentivar empresas sediadas no município a explorar parcerias com organizações e governos locais para impulsionar iniciativas que contribuem para a preservação ambiental como, por exemplo, reciclagem e reutilização de materiais.

As cidades podem, ainda, adotar medidas adicionais para impulsionar o reaproveitamento de recursos. Incentivar a instalação de infraestrutura para captação e tratamento de água da chuva, implementar programas de reciclagem eficientes e estabelecer incentivos fiscais para edificações sustentáveis, promover a conscientização ambiental e a participação da comunidade nas práticas sustentáveis. Ao adotar essas ações integradas, as cidades não só contribuem para a mitigação das mudanças climáticas, como promovem a sustentabilidade econômica e social, criando ambientes urbanos mais resilientes e saudáveis para as gerações futuras.

E não para por aí: as cidades podem cuidar e, se possível, aumentar suas áreas verdes, gerando, via Créditos de Carbono, uma nova fonte de receita para o erário público. Ou seja: ao se integrar na Economia Verde, o município não apenas mitiga o impacto ambiental, como fortalece a economia local e se torna um centro de inovação e desenvolvimento sustentável.

Temos de voltar o olhar para o futuro. Não podemos perder, como já aconteceu no passado, essa oportunidade de fazer o nosso País avançar de forma a proporcionar uma melhor qualidade de vida para todos.

Foi assim, com o olhar voltado para o futuro, que Jundiaí tomou no passado medidas inovadoras que nos permitiram sair da condição de cidade dormitório e figurar hoje no primeiro pelotão das cidades brasileiras.

Miguel Haddad na Mídia

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