Dinheiro nasce em árvore

É o que afirma Tulio Portella, diretor comercial da B&T Câmbio, em seu artigo “Dinheiro nasce em árvore: a revolução do PIB é agora” (Estadão, página B2 – 24/10/2023). Segundo Portella, o Brasil pode colher, com suas árvores, cerca de US$ 17 bilhões até 2030. Sem cortar nenhuma delas.

Essa benesse é mais uma das consequências da chamada Economia Verde, na qual a energia “suja”, ou seja, baseada em combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão, é substituída pela energia limpa, livre de emissões poluentes, baseada em fontes renováveis: solar, hidráulica, eólica, maremotriz – a força das marés -, geotérmica, entre outras.

Essa mudança na matriz energética do Planeta é necessária para evitar os catastróficos danos do Efeito Estufa, resultante da emissão de CO2 (gás carbônico), que vem se concentrando na atmosfera desde o início da Era Industrial, final do século 18. Esse acúmulo de CO2 em volta da Terra impede a dispersão do calor emitido pela atividade humana, suas indústrias, veículos, etc.

O resultado desse acúmulo ao longo de séculos é o aumento da temperatura global. No presente, a consequência desse aumento pode ser vista diariamente nas manchetes dos jornais.

O problema é que a mudança da matriz energética não se dá da noite para o dia. É necessário, enquanto isso, que o gás carbônico que se encontra em suspensão seja sequestrado – quer dizer – absorvido. E para realizar essa tarefa o instrumento mais eficiente que temos é a árvore em pé: suas folhas absorvem o CO2.

Ocorre que a maioria dos países que mais poluem não têm árvores em número suficiente para compensar as emissões de suas máquinas e o processo de substituição desse maquinário por outro, movido a energia limpa, é um processo demorado e a necessidade de reduzir as emissões e sequestrar o gás já emitido é urgente.

Para encaminhar a solução desse problema foi instituído, na COP3 (Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), realizada em 1997, no Japão, o chamado Protocolo de Quioto (nome da cidade sediou o encontro), um acordo internacional para controle da emissão de gases do efeito estufa. O instrumento para isso é o Crédito de Carbono – cada uma tonelada não emitida gera um crédito de carbono.

Funciona assim: uma fábrica, por exemplo, emite uma certa quantidade de gás carbônico, mas por seus próprios meios, não tem condições de compensar toda a sua poluição. Para fazer frente a esse déficit tem de comprar Créditos de Carbono no mercado.

Já dá para ver porque a afirmação dinheiro dá em árvore faz sentido. E o Brasil, de todos os países, é o que tem mais essa nova fonte de riqueza: as florestas.

Segundo Tulio Portella “um estudo de entidades de preservação indicou, em 2022, que restaurar biomas, como a Mata Atlântica, pode gerar 2,5 milhões de empregos nos próximos sete anos no País, o equivalente à população de Fortaleza (CE). A redução a zero do desmatamento ilegal na Amazônia até 2050 e de emissões de CO2 promete agregar até US$ 100 bilhões anuais ao PIB a partir de atividades agroflorestais”.

“De acordo com o Ministério da Fazenda, a participação de produtos brasileiros com origem na floresta é de 0,17% nas exportações, com chance de chegar a 2% nos próximos anos. Além de itens básicos, há mercado para painéis solares, captura de carbono e outras tecnologias.”

Vale lembrar o exemplo da Arábia Saudita, um país paupérrimo que se tornou um dos mais ricos do mundo quando teve início, com a criação do motor a explosão, a valorização da sua maior riqueza, as jazidas de petróleo.

As florestas hoje são o que foi o petróleo então. E as nossas “jazidas” são imensas. O povo brasileiro tem de tomar consciência dessa riqueza e lutar pela preservação das nossas florestas, pois, como se viu, agora dinheiro nasce em árvore.

E mais: a geração de créditos de carbono pode vir a ser uma nova fonte de renda para os nossos municípios. A Região Metropolitana de Jundiaí tem tudo para sair na frente e se beneficiar com esse novo modelo.

Miguel Haddad

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