Você viu o que aconteceu no Havaí?

Até recentemente as catástrofes planetárias – geralmente fruto do impacto de um meteoro – que ameaçavam a continuidade da vida na Terra eram apenas enredos de filmes de ficção científica.

De uns tempos para cá, em razão do progressivo aumento da temperatura da atmosfera terrestre – o chamado efeito estufa – essa catástrofe saiu das telas, deixou de ser uma ficção e é hoje uma ameaça real e concreta à continuidade da vida no planeta.

Era de se esperar, tendo em vista as consequências desse aquecimento – não teríamos, como nos filmes, um final feliz – que as providências efetivas para evitar essa catástrofe se tornassem uma prioridade mundial.

Como sabemos, isso não aconteceu.

No princípio, apesar dos alertas dados pela Ciência, a indiferença de muitos, aliada ao negacionismo militante de parte da população que se recusava a aceitar a realidade, travaram a tomada de medidas efetivas para fazer frente a essa ameaça.

Neste momento, com o mês de julho deste ano batendo o recorde do mês mais quente já registrado na Terra – 0,33ºC acima do recorde anterior, de julho de 2019 -, como anunciou na terça-feira (8) o observatório europeu Copernicus, mesmo com as manchetes da mídia mostrando incêndios de proporções nunca vistas nas florestas de regiões de clima temperado e cenas inéditas de calor assustador em países do Hemisfério Norte – algumas vezes superando os 40ºC, temperatura até hoje vista apenas no alto verão tropical -, as medidas para enfrentar essa catástrofe, uma ameaça concreta, real e comprovada à existência não apenas da Humanidade, mas à vida no Planeta, tal como a conhecemos, têm sido rotineiramente postergadas.

Agora mesmo assistimos ao final melancólico da cúpula de países que compartilham a Floresta Amazônica, cuja preservação é chave para enfrentarmos a ameaça do aquecimento global: em vez de partirem, decisivamente, como requerido, para tornar a Floresta Amazônica uma espécie de santuário ecológico, adiaram mais uma vez – como se tivéssemos tempo para isso – a tomada de medidas nesse sentido.

Para se ter uma ideia da importância da preservação do bioma amazônico, os dados falam por si: as árvores da floresta sequestram o gás carbônico, causador do efeito estufa, à razão, segundo a Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP), de 170 toneladas de gás carbono por hectare. Cada tonelada de carbono armazenada pela floresta equivale à retirada de 3,7 toneladas de CO2 da atmosfera.

E o que é pior: esse resultado desanimador da cúpula deve-se ao posicionamento do Brasil, que recentemente descobriu uma jazida de petróleo próxima à foz do Amazonas, semelhante ao pré-sal – a grande reserva petrolífera abaixo de uma camada de sal no litoral do Rio de Janeiro – e pretende, como se tivéssemos tempo para isso, explorar essa reserva, independentemente dos danos ambientais que causaria.

Infelizmente tempo é exatamente o que não temos. E sequer é preciso explicar por que: basta ver as pessoas se jogando no mar para tentar escapar dos incêndios no Havaí. Segundo Jennifer Marlon, pesquisadora do clima da Universidade de Yale, “é muito estranho ver incêndios dessa gravidade no Havaí – uma ilha tropical de clima úmido – mas eventos estranhos estão se tornando comuns com a mudança do clima”.

O que está acontecendo no Havaí é um trailer do que poderá acontecer aqui. Aqui e em todos os lugares do mundo.

Miguel Haddad

 

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