Afinal, quem tem razão: a esquerda ou a direita?

Boa parte das pessoas responderá, sem pensar duas vezes, que o seu lado é que tem razão. E muitos, como se fossem torcedores de um time de futebol, defenderão o seu posicionamento com paixão.

Sumariamente, a esquerda luta pela eliminação das diferenças entre as classes sociais e, consequentemente, por um Estado com maior poder de intervenção que, em tese, assegure a promoção dessas mudanças. A  direita defende o chamado status quo, ou seja, o modelo tradicional, com classes sociais definidas, uma economia sintonizada com os avanços tecnológicos e um Estado minimamente intervencionista, alegando que o avanço social se daria em consequência do esforço de cada um, em mundo competitivo.

Levadas pelo extremismo, a defesa intransigente desses conceitos tem produzido regimes ditatoriais em igual proporção. Quando, todavia, prevalece a Razão e o Bom Senso, é possível conciliar, democraticamente, o que há de melhor nessas visões aparentemente irreconciliáveis. As nações socialmente mais avançadas são aquelas que seguiram esse caminho.

Hoje em dia, depois de mais de um século de experiências baseadas nessas premissas, já é possível comprovar o equívoco do radicalismo daqueles que acham que o seu lado é o dono da verdade, pois, como dito, os países com melhor qualidade de vida são democracias que conjugam uma economia competitiva com um Estado voltado para a promoção social, para o bem estar do conjunto da população, convivendo em liberdade.

Era de se esperar que o pragmatismo – o caminho baseado nos fatos concretos – levasse a Humanidade a adotar, universalmente, esse modelo. Mas o radicalismo mostra que estamos longe disso.

Agora mesmo estamos testemunhando um episódio que ilustra a razão desses entraves na polêmica entre dois quadros da esquerda, o jovem presidente do Chile, Gabriel Boric, e o presidente Lula, sobre o tratamento a ser dado ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusado pela ONU e por organizações como a Anistia Internacional e Human Rights Watch, que defendem mundialmente os direitos humanos, de uma série de crimes hediondos para se manter no poder.

No campo da direita, em nosso País, são notórias as divergências entre o Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que tem se mostrado favorável à Democracia, e Bolsonaro. Recentemente a imprensa noticiou que o governador paulista foi vaiado ao participar de um evento promovido pelo ex-presidente.

As polêmicas entre Lula e Boric e Tarcísio de Freitas e Bolsonaro deixam claro que, tanto na esquerda quanto na direita, o radicalismo dificulta o discernimento de um quadro mais amplo, capaz de dialogar construtivamente com os seus opositores, em busca de um caminho que evite a polarização estéril e permita definir uma agenda comum que viabilize o desenvolvimento socioeconômico da nação.

A polarização é uma ameaça à continuidade do estado democrático de direito. Um exemplo é o recente desafio, nos Estados Unidos, do Alabama a decisões do Supremo, deixando claro o real perigo que o radicalismo trumpista representa para a continuidade da democracia americana. Em Israel, Netanyahu conseguiu aprovar uma lei que tolhe as ações do Supremo israelita, e lhe permite governar de forma autocrática.  A Espanha parece enveredar pelo mesmo caminho, com a direita moderada, vencedora do pleito, vendo-se obrigada a fazer uma aliança com a extrema-direita, antidemocrática, para obter maioria no Parlamento.

Hoje é patente que o avanço social se dá pelo desenvolvimento econômico, por meio de emprego e renda, e pela qualidade da infraestrutura, que permita a todos o acesso à educação e saneamento básico de qualidade em um estado democrático de direito. E o caminho que leva a isso é o diálogo inteligente, fora do extremismo, entre as variadas correntes de pensamento. Foi seguindo por aí que os países onde há maior justiça social e desenvolvimento econômico têm hoje os melhores índices de qualidade de vida.

A polarização faz do eleitor um torcedor, alheio à Razão, empenhado apenas – independente do que isso significa para a Democracia e o interesse da população – na vitória do seu “time”, seja a esquerda, seja a direita.

Nosso potencial é imenso. Mas se a política nacional continuar a ser definida por torcedores, em um ambiente polarizado, e não por eleitores conscientes, seguindo o que manda a Razão, o nosso futuro será como foi o nosso passado.

Miguel Haddad

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