A Copa do Mundo empolga o Brasil. Agora, somos todos torcedores.

Em todo o País, de norte a sul, nossa paixão pela Seleção canarinho é uma unanimidade. Bem dizia Nelson Rodrigues que a Seleção é a Pátria de chuteiras.

Embora pareça estranho, a força da torcida brasileira encerra pelo menos duas lições políticas importantes: a primeira mostra que o torcedor deveria ser, por um lado, o oposto exato do eleitor. Por outro, que ambos deveriam ser idênticos.

Na Copa, o que comanda o nosso comportamento é a paixão. Nos sentimos exaltados quando ganhamos, como se fosse – e é – uma vitória nossa. E se amargamos uma derrota, o clima é de tragédia. Sofremos uma dor íntima e pessoal e muitos, aos prantos, lamentam a perda.

E é exatamente aí que torcer pela Seleção, ou por nosso time, pelo sentimento que nos desperta, é o oposto àquele que deve nortear o eleitor. O que comanda o torcedor é a paixão. O que deve comandar o eleitor é a razão.

Ser torcedor, guiado pela emoção, na política tem graves consequências. Numa disputa esportiva o que está em jogo é um campeonato. Na disputa política o que está em jogo é o futuro do País, é o futuro dos nossos filhos e dos nossos netos.

Há, todavia, um outro lado no comportamento do torcedor que deve inspirar o do eleitor, evidente na torcida da nossa Seleção na Copa: aí as nossas diferenças individuais, nossas crenças, ou o que mais nos torna diferentes uns dos outros, não importa. O que importa, o que nos une é que somos, todos nós, brasileiros e essa é a nossa Seleção. E esse sentimento de união que existe na torcida deveria ser também o sentimento da cidadania.

Todavia, o que assistimos, no comportamento político atual é exatamente o oposto: mesmo frente aos enormes desafios, ao invés de buscarmos a união em torno do interesse nacional, procurando o diálogo e o entendimento, em busca de soluções reais para os nossos problemas, temos uma nação dividida.

Passada a eleição, temos de baixar a guarda, de combater o radicalismo. Não há outro caminho para o nosso País. Vamos discutir o que nos divide com sensatez, em busca de uma convivência harmônica.

Na realidade, a magnitude dos problemas que temos pela frente – a fome de milhões, a falta de recursos para assistência médica básica, para sustentação do sistema de ensino, para o enfrentamento das consequências do desequilíbrio do clima, a lista é longa – não poderão ser enfrentados se não conseguirmos um mínimo de união nacional, se não nos convencemos que, ao invés de defendermos, muitas vezes com ódio, este ou aquele lado, temos de procurar o que pode nos unir.

Pelo nosso time, a paixão. Pelo País, a razão. E nos unirmos, por ambos.

– Miguel Haddad

Foto Capa: Fernando Dantas/Gazeta Press

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