Uma oportunidade colossal

“O Brasil tem vocação verde. O Brasil tem tudo para ser o grande líder do planeta nessa área. É uma oportunidade colossal”, Armínio Fraga, um dos criadores do Plano Real.

Uma das razões pela qual o Brasil é hoje um país retardatário, ou seja, não figurar no pelotão de frente da Economia Mundial, deve-se a decisões tomadas internamente, quando perdemos, no Século 19 – em razão da recusa míope da elite, escravagista e rural, à proposta modernizante do Barão de Mauá – a oportunidade de estar entre os pioneiros da Revolução Industrial, que então se iniciava.

Pior do que isso seria, agora, mostrar que nada aprendemos com essa dura lição.

O fato é que temos, no presente, uma preciosa segunda chance com a chamada Economia Verde – parte de um processo que alguns denominam de 4ª Revolução Industrial – em que o mundo se prepara para entrar, como ocorreu na época de Mauá, em uma nova Era. E essa pode ser, para o nosso País, uma excelente notícia.

Graças ao desenvolvimento da Ciência e do consequente surgimento de novas tecnologias, no momento em que o mundo cada vez mais se dá conta do real significado do Aquecimento Global – que devastaria, caso não seja contido, o planeta – nosso País, por sua geografia e suas reservas naturais, encontra-se em posição privilegiada.

A Economia Verde tem como pontos principais o combate à emissão e à concentração dos gases que causam o chamado Efeito Estufa na atmosfera. Como a transição de uma economia baseada no consumo de combustíveis fósseis, que geram esses gases, para uma economia limpa não pode ser feita de um dia para o outro, enquanto essa adaptação está sendo implementada é necessário diminuir drasticamente essa concentração, mantendo a economia funcionando. A maneira de fazer isso é sequestrar – absorver e enterrar – esses gases.

Uma das principais maneiras sequestrar os gases do efeito estufa é aproveitar a capacidade das árvores de absorver da atmosfera essas emissões e enterrá-los, com suas raízes. E nós temos o maior patrimônio florestal do planeta. Com a Nova Economia essa capacidade virou uma commodity, ou seja, um bem comerciável, uma mercadoria, negociada na forma de certificados, denominados Créditos de Carbono.

Ou seja, a Floresta Amazônica preservada, por exemplo, tem valor igual ao de um vasto campo de petróleo na economia anterior. A vastidão do nosso território permite, ainda, ampliar a área de florestas preservadas em grande escala. Aqui em nossa região, por exemplo, a floresta da Serra do Japi e a mata da Serra dos Cristais podem se tornar geradoras de riqueza para os nossos municípios.

Outra boa notícia da Nova Economia decorre da democratização das novas tecnologias. Com o isso o empreendedorismo, até então limitado em seu alcance, torna-se um instrumento de inclusão social e de diminuição da miséria a serviço de qualquer micro negócio da periferia e das favelas. E isso já está acontecendo.

Como diz o pensador inglês Edmund Burke, “Um povo que não conhece a sua história está fadado a repeti-la”. O erro que cometemos na época do Barão de Mauá está à vista de todos. Temos, desta vez, de fazer uma escolha voltada para as novas ideias, com o olho no futuro.

Miguel Haddad

créditos de imagens: https://agenciabrasil.ebc.com.br/

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