Quem tem fome, tem pressa!

Quem disse essa frase, na década de 1990, foi o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, fundador da ONG Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, que conseguiu, na época, avanços significativos na luta contra a fome no Brasil.

Infelizmente o que vemos hoje é o agravamento do quadro. Em 2018, segundo o IBGE, 10,3 milhões brasileiros estavam em situação de fome.  Em 2020, 19 milhões. Hoje, calcula-se que temos 33,1 milhões de pessoas vítimas de insegurança alimentar grave.

É verdade que o início deste século tem sido difícil: enfrentamos uma pandemia, seguida de uma guerra na Europa, que afetou pesadamente a cadeia global de suprimentos, gerando uma crise econômica e a disparada da inflação – que impacta principalmente o preço dos alimentos.   E, como se não bastasse, temos pela frente a maior ameaça de todas, o desequilíbrio do clima, que se agrava a cada dia, colocando em risco o futuro da Humanidade.

As medidas contra o aquecimento global, embora lentamente, começam a ser adotadas. A dúvida é se serão implementadas com a urgência necessária para evitar o chamado “ponto de não retorno”, ou seja, quando as ações não forem mais eficazes.

Quem tem fome tem pressa: nesse quadro, o mais urgente é o enfrentamento dessa situação. As medidas a serem tomadas já estão na mesa, algumas, como o Auxílio Emergencial, o chamado “sistema de bolsas”, já estão em andamento. O problema é que têm prazo de validade: serão encerradas no último dia do ano. Outras, como a garantia de benefícios fiscais a empresas – supermercados, restaurantes e estabelecimentos similares – que incentivem a doação de alimentos e a isenção da carga fiscal dos itens cesta básica, precisam ser implementadas. Por último, mas não em menor importância, criar e incentivar campanhas valorizando a participação da população, de forma solidária, como cada um puder, nesse esforço.

O problema é que a concretização dessas ações, claramente importantes e necessárias, carecem do sentimento de urgência para serem implementadas.

O que falta, de fato, e que pode mudar esse cenário trágico, é o clamor popular. Foi o clamor popular que, nos idos de 1980, pôs fim à Ditadura. Desde então as grandes mudanças que assistimos se deram em decorrência da presença maciça do povo brasileiro nas ruas, na boa luta, defendendo o interesse nacional.

Difícil, com a polarização, conseguir essa união agora. Estamos trocando o essencial pelo acessório. Mas temos de persistir. O Betinho, quando começou sua cruzada, tinha com ele apenas meia dúzia de apoiadores.

Vamos esperar que essa polarização que nos divide, que racha famílias, chegue logo ao fim, e que possamos nos entregar, unidos, à luta pelas causas verdadeiras.

Miguel Haddad

— foto usada: GettyImages-985170852

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