A Crise Hídrica e o Futuro dos Nossos Filhos e Netos

Jundiaí, como devem se recordar os moradores mais antigos, até o final do século passado contava com um sistema de represamento de água insuficiente. Dependíamos principalmente de fontes externas para o abastecimento, como o fornecimento do rio Atibaia.

Para fazer frente a esse grave problema, sucessivas administrações jundiaienses tomaram a iniciativa para ampliar a nossa capacidade de armazenamento. Em 1997, enquanto prefeito, entregamos a represa da DAE com a capacidade de 5,5 bilhões de litros de água. Com a sua ampliação, que fizemos em 2011, aumentamos em aproximadamente 3 bilhões a quantidade de litros de água represados. Somando o acréscimo posterior de 1 bilhão de litros, nossa cidade viu-se, até o presente, livre do transtorno causado pelo racionamento que acontece em outros municípios do estado e do País.


Créditos da imagem: https://agua.org.br/noticias/dae-jundiai-promove-acoes-em-consonancia-com-as-metas-da-sustentabilidade-hidrica-do-consorcio-pcj/

O empenho de Jundiaí, assim como Várzea Paulista, Campo Limpo Paulista e Itupeva ao longo de sucessivas administrações, tem obtido êxito, ainda, na regeneração do Rio Jundiaí. O resultado é a volta de peixes em seu leito. Um aspecto importante é que a despoluição de um rio, uma vez iniciada, adquire dinâmica própria, substituindo o círculo vicioso de degradação anterior por um virtuoso, de autorregeneração.

No Brasil, segundo o Ranking do Saneamento 2022 com foco nos 100 maiores municípios do País, divulgado na última terça-feira (22/3), Dia Mundial da Água, pelo Instituto Trata Brasil, a ausência de acesso à água tratada atinge quase 35 milhões de pessoas. Quanto ao acesso à coleta de esgoto a situação é ainda pior: 100 milhões não contam com esse serviço, o que acarreta centenas de casos de hospitalização por doenças de veiculação hídrica, como informa a entidade.

O saneamento básico e o acesso a água limpa com certeza fazem uma diferença na qualidade de vida da população. Mas seus benefícios vão além disso. O investimento municipal em medidas que resultam nessa melhor qualidade de vida concorre para o desenvolvimento econômico da cidade, criando um círculo virtuoso, como demonstram vários municípios – Jundiaí inclusive – que seguiram esse processo. Infelizmente, todavia, essas providências, como até agora têm sido tomadas, são, de uma certa maneira, paliativas e não mais suficientes para enfrentar o novo cenário fruto do desequilíbrio climático.

Em nosso País os efeitos das alterações do clima são responsáveis tanto por períodos prolongados de seca, como mostra a falta de chuva nos reservatórios, quanto pelas enchentes colossais, que têm vitimado a população de muitas cidades brasileiras.

Um relatório conjunto das Nações Unidas e do Banco Mundial, com o sugestivo título “Cada gota conta”, é mais um entre muitos estudos e pesquisas que nos alertam para a urgência da chamada Crise Hídrica, ou seja, a crescente escassez de água limpa para atender as necessidades da população, agravada pelas mudanças climáticas. A continuar assim, diz o relatório, em 2050, mais da metade da população mundial enfrentará graves problemas relacionados a sua escassez.

O que fazer?

Para enfrentar esse quadro, governos e municípios precisam agir. Algumas ações são essenciais, como o investimento para diminuir o desperdício no transporte da água em um limite aceitável de até 10%. Atualmente, em alguns locais do País, as perdas ultrapassam os 30% nas tubulações que fazem esse transporte.

Construção de pequenas represas e estações de armazenamento e tratamento em pontos descentralizados, bem como a manutenção das nossas nascentes, com incentivo para que os proprietários de terrenos mantenham essas fontes de água, também devem fazer parte dessa agenda.

É necessário encarar, como encaramos em nossa região, o problema de frente, procurando resolvê-lo em suas causas e não em suas consequências. Não há outra maneira. E com a aprovação do Novo Marco do Saneamento, que votei favoravelmente em 2020, não há melhor momento para a implantação dessas ações.

Até agora o que assistimos no Brasil – que sofre com o aumento do custo da energia, resultante das secas, e as chuvas torrenciais, que têm causado enorme destruição e perda de dezenas de vidas – são providências tomadas se limitam à tentativa de reparar os danos, sem atacar as suas causas.

As únicas maneiras para reverter esse quadro passam pelo trabalho e pela tomada de consciência da população. Caso contrário estaremos deixando para nossos filhos e netos um mundo hostil.

Como sempre, a mudança depende de nós.

– Miguel Haddad.

Crédito, imagem de capa do artigo: Banco de dados do Google.

Miguel Haddad na Mídia

Acompanhe a rotina do Miguel e seus posicionamentos pelas redes sociais e também por nosso WhatsApp.

Miguel na Mídia

Confira outros textos, entrevistas e artigos publicados na imprensa

e-book

Coisa de paulista

Seu cadastro foi efetuado com sucesso.
Clique agora no botão abaixo e faça o download da sua cópia do e-book.