Habitação para idosos: um desafio do nosso tempo

Em 1950, a população mundial de idosos – 60 anos ou mais – era de 202 milhões. Em 2020, 1,1 bilhão. Em 2100, deverá chegar a 3,1 bilhões. Proporcionalmente esse contingente representava, em 1950, 8% do total da população do planeta. Em 2020, 13,5% e, em 2100, deverá chegar a 28,2%.

Isso significa que, cada vez mais, tanto recursos públicos quanto privados serão direcionados ao atendimento das necessidades e dos desejos de consumo dessa faixa etária.

Já de algum tempo para cá a própria forma de viver da Terceira Idade tem se diferenciado do estereótipo da velhice como semi-incapacitada e, politicamente, conservadora. Os vovôs e vovós de hoje são mais ativos, mais descolados, têm acesso a uma medicina cada vez mais avançada e a formas de moradia e convivência social que ampliam, ao invés de restringir, a interação.

Justamente por essa longevidade, muitos vão para casas de repouso ou asilos que mais parecem um pensionato do que propriamente um lar.

Mas isso também, como todo o resto, está mudando. Hoje o modelo que prevalece nos países desenvolvidos e em poucos locais privilegiados do Brasil é o chamado cohousing, condomínios voltados para a Terceira Idade, com uma dinâmica interativa, nos quais os idosos têm suas casas com quarto, sala e banheiro, mas fazem suas refeições e boa parte do lazer em um espaço comum.

Jundiaí foi pioneira, também aí. O Condomínio dos Idosos, entregue em 2008 e localizado no bairro Fazenda Grande, tem 22 casas individuais e espaços de socialização e atividades comuns. Os moradores têm sua privacidade, contam com quarto, sala, banheiro e cozinha, compartilhando áreas de convivência.


Nivelamento da canaleta de drenagem aumenta segurança e minimiza riscos de quedas no quintal em condomínio jundiaiense
Foto: Prefeitura Municipal de Jundiaí

Na maioria dos países desenvolvidos, além da ação do estado e de entidades particulares voltadas para o bem-estar de seus associados, as empresas modernas, que seguem a agenda ESG (sigla em inglês para Environmental, Social e Governance), que têm como critério, na sua tomada de decisão, o interesse social, veem o cohousing como um empreendimento comercial e, ao mesmo tempo, como uma importante iniciativa para o bem-estar da população.

Esse deve ser também o olhar do poder público em nosso País. Com o aumento da população idosa, as habitações para esse segmento precisam constar nos programas de governo e ser tratadas como políticas públicas.

Casas com acessibilidade e pisos antiderrapantes, áreas comuns com acesso a serviços – como feiras livres e atendimento médico pelo menos uma vez na semana – e sistemas com botão de emergência para acionar socorro em casos de acidente são soluções que precisam ser aplicadas diante dos desafios que surgem com a longevidade da população.

O poder público, ao adotar esse novo modelo, presta, por sua vez, um bom serviço à cidadania, contribuindo para melhoria da qualidade de vida daqueles que deram à sociedade o suor do seu trabalho.

Miguel Haddad

*Capa da matéria: Construção de condomínio para idosos em Prudentópolis, no Paraná
Foto: Alessandro Vieira

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