Quando vamos acordar?

No site da Agência Espacial Norte Americana (NASA), na página que trata do chamado Efeito Estufa, está dito com todas as letras: as consequências do aquecimento global em razão da ação humana que está acontecendo agora são irreversíveis na escala de vida das pessoas, vão piorar nas próximas décadas e seus efeitos no futuro dependerão da quantidade de gases do efeito estufa emitidos globalmente.

Quando se sabe que há meio século o primeiro alerta para o  cataclisma que estava por vir  – o livro “Hipótese Gaia”, do cientista inglês James Lovelock, em colaboração com a renomada bióloga americana Lynn Margulis, que expôs claramente tanto as consequências  como a causa do Efeito Estufa – foi solenemente ignorado, e durante todas essas décadas praticamente nenhuma providência foi tomada para fazer frente de fato a essa catástrofe, fica clara a necessidade de nos engajarmos com urgência no movimento mundial que demanda ações imediatas para impedir a sua consumação.

Esse atraso deve-se em grande parte ao Negacionismo, um movimento anticiência, alimentado pelo fanatismo, que não acredita no Efeito Estufa e é contra a vacinação. Mesmo com suas UTIs ocupadas, em sua esmagadora maioria, por pacientes não vacinados, negacionistas de vários países, como Estados Unidos, Austrália, Canadá, França, Israel e Bulgária têm ido para as ruas protestar contra a vacina.

Não é possível aceitarmos mais, de braços cruzados, essa irracionalidade. Afinal, quem irá pagar o amargo preço dessa negligência serão nossos filhos e netos, que viverão em um mundo cada vez mais hostil.

O Painel Intergovernamental da ONU da Mudança do Clima registra que ondas de calor já ocorreram com o triplo da frequência observada no período de 1850 a 1900.

No Brasil, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária, uma seca devastadora, a mais severa em décadas, já causou a perda de R$ 71,9 bilhões dos produtores de grãos do Sul e do Centro Oeste, conforme matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo de 22 de fevereiro.

Por outro lado, chuvas em excesso reduziram a colheita de frutas no vale do rio São Francisco.

O sul da Bahia foi castigado por um dilúvio atípico, que se repetiu em Minas Gerais, São Paulo e culminou com a tragédia de Petrópolis. Vimos isso também por aqui, perto no nós, com as fortes chuvas que atingiram a Região Metropolitana de Jundiaí e que responderam pela morte de cinco pessoas da mesma família. Na realidade essas ocorrências devastadoras não são mais atípicas, mas fazem parte do novo normal.

Imagem: SAKDAWUT14/iStock

Os efeitos do desequilíbrio do clima não param aí, e concorrem para o aumento da desigualdade. Pesquisa da Universidade de Stanford, dos Estados Unidos, afirmou que a enorme diferença entre o crescimento das nações mais ricas em relação aos países mais pobres poderia ser 25% menor, no último século, se não tivéssemos o aquecimento global.

Era de se esperar que a comprovação das consequências do desequilíbrio do clima – visíveis nessa sucessão de tragédias e na diminuição do nosso avanço social -, e o claro entendimento do seu potencial devastador, finalmente levassem a sociedade a exigir providências para combater essa ameaça.

Infelizmente, não é isso que está acontecendo.

Os acordos internacionais que definem metas para a diminuição da emissão do gás carbônico não são obedecidos. Ativos ambientais, como a Floresta Amazônica, estão sendo devastados. Enquanto dezenas de países têm como meta zerar a produção de carbono em 2030, a China, segunda nação que mais emite gás carbônico no mundo, propôs cumprir essa agenda somente em 2050.

Temos de acordar e ver claramente a gravidade do momento que estamos vivendo sabendo que, se não agirmos agora, deixaremos como legado para nossos filhos e netos um mundo francamente hostil.

 

Miguel Haddad

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