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As lições da pandemia – Parte 2

Uma das lições da pandemia foi deixar claro que, se não tomarmos as medidas necessárias para evitar as consequências da deterioração do meio ambiente – o colapso sanitário e econômico mundial – todos nós, independente da condição social, simplesmente não teremos para onde correr. Não há Planeta ‘B’.

O sistema da chamada livre iniciativa, baseado na competitividade, que admite uma sociedade com vencedores e perdedores, não tem mais como prosseguir nesse rumo por duas razões objetivas: a exploração desordenada dos recursos planetários e a persistência da miséria. Ambas impedem, entre outras consequências, a eliminação de surtos pandêmicos que, de outra forma, serão recorrentes. Basta imaginar como seria a vida se tivéssemos sucessões de emergências sanitárias como o coronavírus.

Essa lição já havia sido claramente entendida, mesmo antes da pandemia, pelo grupo reunido em janeiro deste ano no Fórum Econômico Mundial de Davos. O documento final do evento, mencionando o chamado ‘Efeito Greta Thumberg’ – a garota sueca que personificou a indignação intransigente ante a falta de providências urgentes para frear a deterioração ambiental –, propõe uma reconfiguração do sistema socioeconômico mundial, incluindo a preservação do meio ambiente e a eliminação da miséria no rol de objetivos, até então voltado exclusivamente para a maximização do lucro de empresas e empreendedores.

A forma mais recente que, concretamente, esse conceito assumiu, é a plataforma do candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, prenunciando, de forma prática, essa nova visão do mundo. O Green New Deal do seu partido – denominação dada ao conjunto de medidas que pretende tomar, caso seja eleito – é uma alusão ao New Deal, algo como Novo Acordo ou, literalmente, Novo Negócio, nome da bem-sucedida plataforma eleitoral do presidente Roosevelt, que livrou os Estados Unidos da recessão dos anos 1930, mas com uma novidade: seria agora o Novo Acordo Verde, ou seja, leva em conta exatamente os dois objetivos: preservação ambiental e a eliminação da miséria.

Trata-se de uma guinada para valer na pátria da livre competitividade, mas que faz sentido quando se vê que a nação mais rica do planeta é, ao mesmo tempo, a maior vítima da pandemia, logo à frente do nosso País.

Vamos esperar que o Green New Deal não apenas seja vitorioso localmente, mas que se torne uma nova bandeira ao nortear o caminh0 que temos de seguir para evitar novas catástrofes.

Miguel Haddad na Mídia

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