Taxa de homicídios

Finalmente uma boa notícia: pela primeira vez, na série histórica, o número de homicídios no estado fica abaixo de 10 casos por 100 mil habitantes. O número é mais significativo por tratar-se do homicídio doloso, ou seja, quando há intenção de matar. No Brasil, a taxa é de 25,2.

Mais: "São Paulo tem menor taxa de homicídios desde 1966". Reprodução Folha de S. Paulo.

O Estado de São Paulo teve em 2015 sua menor taxa
de homicídio doloso (quando há a intenção de matar)
em pelo menos duas décadas. E, pela primeira vez na
série histórica, ficou abaixo de dez casos por 100 mil
habitantes, fora da zona considerada epidêmica pelo
governo e por relatórios internacionais, como da
ONU (Nações Unidas).
O índice anual fechou em 8,73 por 100 mil. O melhor
resultado anterior tinha sido de 10,06, em 2014 ­menos de um terço do
patamar registrado em 1996, primeiro ano completo com dados divulgados
pela Secretaria da Segurança Pública na internet.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) atribuiu os resultados ao trabalho da
polícia ao longo dos anos. "Isso não é obra do acaso. É fruto de muita
dedicação. Policiais morreram, perderam suas vidas, heróis anônimos, para
que São Paulo pudesse conseguir essa conquista", disse.
Especialistas em segurança ouvidos pela Folha concordam que houve
melhoria na investigação policial desses crimes nas últimas duas décadas,
incluindo mapeamentos específicos das áreas críticas.
Eles citam, porém, pelo menos outros dois fatores contribuintes: melhor
controle das armas depois do estatuto do desarmamento, de 2003; e redução
da disputa por pontos de venda de droga devido ao domínio do PCC (Primeiro
Comando da Capital) como facção criminosa nesses lugares.
No país, segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a
taxa média de homicídio era de 25,2 casos por 100 mil habitantes em 2014,
dado mais recente. A maior taxa brasileira era de Alagoas, com 61,9 casos
proporcionais.
Em São Paulo, a redução dos homicídios no intervalo de um ano foi de 12,5%
no Estado inteiro –com 3.757 casos, contra 4.293 em 2014.
A queda se repetiu em escala semelhante na capital paulista, que já tinha
registrado em 2011 e 2014 taxas de homicídio abaixo de 10 por 100 mil. Esse
índice voltou a baixar e ficou em 8,56 em 2015.
Já a Grande SP, apesar da diminuição de casos, nunca esteve nessa situação e
continua dentro da zona considerada epidêmica, com taxa de 10,13.
A metodologia usada pelo governo paulista para contabilizar a taxa de
homicídio é diferente da empregada por uma parte dos especialistas e de
organismos internacionais.
Ela é calculada em São Paulo com base no número de casos, e não de vítimas
de homicídio –cada registro pode incluir mais de um morto.
Uma chacina com oito mortes, como ocorreu no ano passado em Osasco, é
considerada como só um caso.
Se a taxa fosse calculada com base no número de vítimas de homicídio,
latrocínio e de intervenção policial, seria de 11,7 no Estado.

"O mais relevante é que a curva de [homicídios em] São Paulo é descendente,
enquanto a curva no restante do país é ascendente", disse Alexandre de
Moraes, secretário da Segurança Pública.
Em nota, a secretaria atribui a queda na taxa de homicídios no Estado em
2015 ao aumento do efetivo e à melhor distribuição dos policiais.

Pelos números apresentados pelo governo Alckmin, São Paulo registrou
redução em todos os indicadores de criminalidade divulgados, como roubo de
carga, roubo a banco, roubo de veículos, latrocínio, sequestro e estupro.
Em relação ao roubo comum, houve uma redução tímida no Estado, de 1,2%,
após uma escalada nesse tipo de crime ter desgastado a gestão tucana no ano
anterior.
Apesar do saldo anual positivo, a tendência de assaltos em São Paulo continua
preocupante porque, em dezembro de 2015, houve um aumento de 8,6%.
Trata­-se do terceiro mês seguido de alta.

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