Você perdeu a esperança?

Jornal de Jundiaí, março de 2013

Afinal, o que a gente vê nos noticiários? Um mundo que parece caminhar para a ruína: violência, aquecimento global, crise mundial, impunidade. No entanto, sob alguns aspectos, já foi muito pior. No Brasil da hiperinflação, no meio do mês o salário valia a metade. A ditadura torturava, prendia e arrebentava. Não havia emprego e mais da metade da população vivia na miséria. 



Jundiaí estava virando uma cidade dormitório, era a 51ª cidade do Estado no IDH da ONU e a maioria dos jovens precisava buscar em outros locais as oportunidades que não existiam aqui. Em poucas décadas isso mudou. A inflação, depois do Plano Real, virou coisa do passado. Vivemos em uma democracia mundialmente respeitada. O desemprego foi substituído pelo pleno emprego.

Cada vez mais as pessoas estão entrando no mercado de trabalho e o aumento da renda consequente mostrou o caminho correto para diminuirmos, de fato, a desigualdade. E, em uma vitória inédita contra a impunidade, os poderosos do "mensalão" foram condenados e logo receberão suas sentenças. Jundiaí mudou mais ainda. Tornou-se uma das cidades mais dinâmicas do País.



Na verdade, ao longo dos últimos 25 anos, foi o município paulista que mais evoluiu no ranking da ONU. E, a continuar esse desempenho, em poucos anos poderemos ter uma renda per capita igual a do americano médio hoje. Agora são jovens de outras cidades que vêm procurar aqui oportunidades de se desenvolverem. É claro que temos problemas. 



O saneamento básico brasileiro, por exemplo, ainda é um dos piores do mundo; a saúde, nacionalmente, é uma verdadeira tragédia; muitas das conquistas conseguidas após o Plano Real estão ameaçadas pela inconsequência e o fundamentalismo ideológico, e é triste olhar para Brasília e ver o que está sendo perdido, em termos de valores, com o cinismo frente à corrupção e as instituições nacionais. É verdade. Poderíamos ter avançado muito mais.



Conseguimos fazer muito, mas há muito a ser feito. Revendo o que de fato deu certo, que funcionou e nos possibilitou alcançar esses avanços, nos sentimos animados. Mas quando nos damos conta dos retrocessos, caímos no desânimo. Qual lição tirar disso? Se fizemos muito, isso quer dizer que podemos fazer mais ainda. Quem joga a toalha, não perde a luta. Perde o futuro. Temos é de lutar. Este é o nosso País. Perder a esperança é o pior dos caminhos.


Miguel Haddad é advogado e ex-prefeito de Jundiaí

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