Uma arma eletrônica

O Brasil, talvez por sua posição geográfica, uma espécie de subcontinente no Atlântico Sul, ou então por sua história, visto logo depois de sua descoberta como um paraíso tropical, no qual vivem povos vindo de todos os lugares do mundo, sem dúvida excita a fantasia e, por essa razão, é objeto de teorias as mais singulares, tanto positivas quanto negativas, sobre o caráter nacional.

Embora, naturalmente, nosso País tenha, como os outros, aspectos que o diferenciam dos demais, somos, todos nós membros da espécie humana, com os mesmos sonhos, fraquezas e subliminares. A natureza do brasileiro médio não é melhor nem pior do que a do ser humano médio.

A diferença que existe entre nós, assim como a diferença que existe entre os povos de todos os países, não depende em nada da nossa natureza, mas, sim, da qualidade da educação e, consequentemente, das nossas instituições, das condições peculiares da nossa história, do nível de aprofundamento da democracia, em suma, da nossa dedicação como um povo, à tarefa de construir um País melhor.

Muitas vezes. frente aos estarrecedores escândalos de corrupção nos três níveis de poder, que ocupam diariamente as manchetes dos jornais e às evidências do descalabro administrativo federal, é difícil acreditar que não há nada de errado conosco, intrinsecamente. No entanto, antes de procurar respostas para essa situação no caráter nacional, deveríamos dedicar nossas energias à tarefa de aperfeiçoar instituições e mecanismos que dificultem a ação dos maus elementos. A verdade é que gente mal intencionada há em toda parte e a única maneira de evitar a ação desses predadores sociais é a vigilância constante e severa.

A inação, a falta de ações concretas são aliadas efetivas dos malfeitores e suas quadrilhas. Semana passada os jornais noticiaram que o mesmo grupo que havia sido denunciado no ano passado, nos Correios, na origem do escândalo do mensalão, havia se reorganizado e continuava a agir. As recomendações da CPI, que procuravam coibir esses abusos, simplesmente não haviam sido obedecidas.

Uma das mais importantes das recomendações feitas pela CPI para evitar a continuidade das concorrências viciadas, era a substituição do mecanismo burocrático de licitações, pelo pregão eletrônico, no qual as compras são feitas fora dos gabinetes, ao vivo, à vista de quem quiser, permitindo a todos acompanhar, do começo ao fim, o processo de aquisição de bens e serviços feito pelos órgãos administrativos do Estado.

Essa é, efetivamente, a grande arma eletrônica contra a corrupção. Governos honestos, de norte a sul do País têm feito crescer de maneira impressionante esse processo.

A segunda cidade do Brasil e a primeira do Estado de São Paulo a implementar esse serviço foi Jundiaí. Logo no primeiro ano, a agilidade e a credibilidade do sistema fez com que o custo das compras de bens e serviços na cidade caísse em torno de 22%. Ao longo dos últimos anos, houve um decréscimo continuado e significativo nesses custos. A economia gerada por essa diminuição da despesa permitiu que o município investisse em outras áreas, inclusive no lazer da população, criando espaços como o Parque da Cidade e o Jardim Botânico.

Desde o seu início, o Compra Aberta jundiaiense oi considerado modelo de pregão eletrônico por gestores públicos de todo o País e até mesmo do exterior, tem sido, por essa razão, apresentado em eventos realizados no México, Canadá, Estados Unidos, Colômbia, além de encontros de informática em vários estados brasileiros.

Mais dia menos dia o povo irá compreender as suas virtudes e exigir dos governantes que instalem sistemas iguais em todos os organismos públicos. Isso irá, evidentemente, concorrer para diminuir substancialmente a corrupção no País. e, ao mesmo tempo, para acabar de vez coma enxurrada de teorias e teses que atribuem ao nosso povo caráter distinto dos povos do mundo. O brasileiro não é, substancialmente, diferente de ninguém. Para acabar com o descalabro e a corrupção, existem armas efetivas que precisam ser implementadas.

Entre em contato!