Sem prevenção não há solução

Certa vez, estando em São Paulo, aproveitamos para conhecer o Instituto Princípio Único, obra de um dos fundadores da Macrobiótica, o renomado Prof. Tomio Kikushi. Logo na entrada, havia um cartaz na parede onde se lia "Sem prevenção não há solução". Essa frase me veio à mente ao ler uma notícia acerca das dificuldades que a prefeitura paulistana e o Governo do Estado estão encontrando para preservar as regiões de manancial da capital paulista.

Sem subscrever integralmente o que diz Kikushi, uma vez que acreditamos ser possível, embora difícil, encontrar soluções mesmo sem ter havido prevenção anterior, e, naturalmente, esse encaminhamento seja de longe o mais desejado, o certo é que a ocupação desordenada dessas zonas nos deixa hoje com um enorme problema para resolver. Por isso é importante nos preocuparmos, no presente, com o nosso legado enquanto cidadãos, uma vez que, se não fizermos isso agora, corremos o risco de inviabilizarmos o futuro de nossos filhos e netos.

Muita da resistência aos sucessivos projetos de desocupação dessas áreas decorria da disputa política, uma vez que alguns partidos, de olho nos dividendos eleitorais, se colocavam belicosamente ao lado dos invasores, alegando razões de caráter social apesar de alguns deles serem pessoas de alto poder aquisitivo, tudo isso em um momento no qual a questão da água não era vista como nos dias de hoje, em que se tornou uma urgente questão planetária. Como resultado, dificilmente se conseguia reunir as condições objetivas para resolver o problema.

Como previsto, a situação chegou a um ponto tal que não se pode mais adiar a tomada de uma decisão, agora drástica. Mesmo os partidos que se opunham a medidas de desocupação das áreas, não têm mais argumentos para impedir que se toma essa providência.

Atualmente o Governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo estão encarando de frente essa questão. As demolições de construções irregulares na região da Serra da Cantareira, por exemplo, previstas para ter início em outubro, foram antecipadas e começaram a ser realizadas. O último levantamento, feito na semana passada, mostrou que 210 edificações já foram demolidas e 20 prisões efetuadas.

Em que pese a urgente necessidade de medidas efetivas, não podemos deixar de lamentar a carga de violência traumática que ocasionam. É ai que se revela a importância da frase do Prof. Kikushi. Algumas cidades, pensando preventivamente, conseguiram resolver esse problema de maneira positiva. Em Jundiaí, criamos , na margem da represa que abastece a cidade, um parque, o Parque da Cidade, que além de garantir a preservação do entorno de maneira permanente, oferece aos moradores do município e da região uma área de lazer e educação ambiental que concorre para melhorar a sua qualidade de vida. Com isso, prevenimos efetivamente a ocupação das áreas de manancial da cidade, garantindo a sua preservação, sem deixar para as gerações futuras problemas do tipo enfrentado por São Paulo e região.

Nosso País e nossas cidades têm de dar um novo passo, baseado na compreensão de que o desenvolvimento real é o desenvolvimento sustentável, ou seja, que se dá continuadamente, sem exaurir predatoriamente os recursos, de outra maneira finitos, que dispomos. Com um início conturbado por guerras, invasões e ameaças terroristas, o novo milênio, a partir desses novos alicerces, fundados no benefício e na responsabilidade de todos, parece que se rearruma e nos permite imaginar um futuro em que a vida seja mais justa e prazerosa para os seres humanos e para os demais companheiros de viagem. a partir do susto pedagógico causado pela descoberta dos efeitos do aquecimento global, com a tomada de consciência por parte da maioria e da percepção da importância do manejo dos recursos planetários, esperamos que, a cada dia, fique claro para todos que sem prevenção de fato fica muito difícil encontrarmos soluções para os nossos problemas.

Entre em contato!