Respeito e empregabilidade

Embora grande parte da melhoria das condições físicas e do prolongamento da vida humana, conquistados ao longo das últimas décadas, tenha por base o progresso científico, não se pode deixar de apontar o processo de abertura da sociedade, que se tornou menos rígida, proporcionando, com isso, maior liberdade para a realização individual, como um dos fatores preponderantes para a conquista de uma existência de alguma maneira mais rica e de todas as maneiras, longeva.

Antigamente uma pessoa beirando os cinquenta anos já era considerada velha. É famoso o caso da mulher do pai da psicanálise, Sigmund Freud, que, ao chegar aos 40 anos, se deixou engordar e envelhecer, como era próprio das mulheres dessa época. Caso desejassem curtir um pouco mais a vida e se dedicar a alguma atividade, ao invés de estímulo os idosos de então encontravam inúmeras barreiras sociais e eram vistos, o mínimo, como excêntricos.

Atualmente é comum encontrar pessoas de idade avançada, na casa dos setenta, oitenta e até noventa anos, vivendo sem maiores restrições, muitas inclusive trabalhando, produzindo e participando ativamente da vida de sua comunidade. e notem que não estamos sequer incluindo aí pessoas na faixa dos cinquenta e sessenta, pois isso já é corriqueiro e, hoje em dia, ninguém é mais considerado realmente velho nessa idade. Pode-se imaginar que no futuro, mesmo as atuais limitações terão sido superadas e não se sabe, com certeza, quais os limites desse processo.

Todavia, embora o progresso científico e as liberdades asseguradas pela democracia tendam a avançar com uma certa rapidez, alguns outros aspectos da vida em sociedade parecem avançar mais lentamente, criando atritos e tensões desnecessários. Um deles se refere à persistência de dificuldades à inclusão do idoso no mercado de trabalho.

Embora tenha havido uma evolução nessa área, ainda é comum haver restrições à contratação de pessoas acima dos 60 anos, quando não dos 50. O equívoco dessa posição pode ser ilustrado com a mudança que se anuncia nos cálculos atuariais, parte da estatística que investiga questões relacionadas com a teoria e o cálculo de seguros numa coletividade. Os novos cálculos, levando em conta a longevidade no presente e sua ampliação futura, mostram que a posição atual das seguradoras, de cobrar mais caro o seguro de vida de pessoas mais velhas, poderá proximamente vir a ser modificado.

Tudo isso implica em uma reavaliação do próprio mercado de trabalho, que a cada dia contará com um contingente maior da chamada terceira idade em condições plenas de executar a maioria das tarefas exigidas pelo trabalho humano moderno, com a vantagem de um cabedal de experiências efetivas e uma compreensão mais madura do contexto social.

A inclusão do idoso no mercado de trabalho é, com certeza, uma exigência do mundo atual. E isso, para as pessoas de mais idade, não significa um ônus e sim, na maioria das vezes, um bônus, pois a inação, o sentimento de inutilidade, muitas vezes concorrem para o isolamento do idoso, e consequente piora na sua qualidade de vida. Essa inclusão depende, entre outros fatores, de uma mudança mais veloz na mentalidade ainda prevalecente. Instituições e entidades públicas e da sociedade têm se engajado nessa luta, procurando promover uma política de maior diversidade na contratação de pessoas, incluindo aí além dos idosos, outras minorias.

O papel dessas organizações é muito importante para realizarmos essa mudança. No entanto, aqui também a ação local tem um papel preponderante. Cada um de nós, pessoalmente ou através de entidades das quais participamos, nas nossas cidades, nos nossos bairros, em nossas ruas e comunidades, é um agente de transformação e pode fazer muito, divulgando e, também, agindo de maneira objetiva e direta, para garantir àqueles que tanto fizeram por nós o respeito, o reconhecimento e, não menos importante, a empregabilidade, que lhes são devidos.

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