A porta de saída

Jornal de Jundiaí, julho de 2013


Quando o governo federal anuncia que o número de pessoas assistidas por programas assistenciais aumentou, em dez anos, mais de 300%, fica evidente que esses programas não solucionam a questão da distribuição injusta da renda no Brasil.

Trata-se de um paliativo. E paliativos não resolvem problemas. Recorrentes, ao longo da nossa história têm servido para perpetuar a nossa condição de país subdesenvolvido.
O que concorre para a diminuição da pobreza é a ascensão social. Quanto maior a mobilidade social ascendente, mais justa é a distribuição de renda. Essa é a porta de saída, que vai além do paliativo, e concorre para criar uma sociedade onde a democracia é instrumento de liberdade e crescimento individual.

Todavia, a viseira ideológica funciona aqui, como acontece com o governo Dilma Rousseff, como um freio de mão, a impedir que o Brasil parta, de maneira decidida, para a criação de condições objetivas que permitam o aumento contínuo da mobilidade social da população brasileira.
A irrealidade dessa posição é responsável pelas guinadas contínuas na condução da economia e os sinais evidentes do seu fracasso podem ser vistos em sua perda de popularidade, nos índices a cada dia mais preocupantes, e na falta de rumo da barca governamental.

Aos resultados negativos obtidos na implementação dessas crendices, contrapõem-se os obtidos localmente pelo interior de São Paulo, numa demonstração eloqüente de que um Brasil melhor é possível.
Pesquisa publicada agora na revista Exame mostra que, dentre as cinco cidades brasileiras recordistas em mobilidade social, com população inferior a 500 mil habitantes, três – Jundiaí, São José do Rio Preto e Piracicaba – são do interior de São Paulo. Essas cidades concentram o maior número de famílias que ascenderão às classes A e B, até o ano de 2020.  Dentre todas, nossa Jundiaí é a campeã.

Infelizmente, sucessos locais não resolvem problemas nacionais. Mas servem, como disse, para mostrar que outro Brasil é possível.
Um fato novo alimenta essa esperança.
No mundo inteiro, e aqui também, conectado, seja em lan houses, casas ou escolas, um novo tipo de ativismo social, promovido pela juventude, mostra que algo profundo está ocorrendo na sociedade brasileira. Haverá excessos. Mas isso sempre ocorre quando há um rompimento.
O que importa é que parece que o Brasil acordou.
 
Miguel Haddad é ex-prefeito de Jundiaí

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