O futuro da nossa cidade (2)

Com o Plano Real e a Lei da Responsabilidade Fiscal – dois marcos do Governo Fernando Henrique -, o Brasil definiu fundamentos importantes para a estabilização da sua economia que nos permitiram aproveitar o presente desenvolvimento acelerado da economia mundial, puxado pela entrada da China no mercado, e iniciar uma nova etapa de crescimento nacional.

A partir desse novo patamar da economia brasileira, algumas cidades – denominadas “cidades eficientes” em pesquisa feita no ano passado pela Fundação Getúlio Vargas – podem dar um verdadeiro salto em termos de desenvolvimento e qualidade de vida.

Segundo a pesquisa, esses municípios se caracterizam por manter, ao longo de sucessivas administrações, índices socioeconômicos superiores à média nacional, possuir vocações econômicas definidas e apresentar altas taxas de inclusão social, notadamente no que se refere à redução da economia informal.

Qual o melhor caminho a seguir? Para responder a essa questão, temos, em primeiro lugar, de pensar que tipo de cidade é a ideal para que possamos crescer, como pessoas, livres e produtivas, em uma sociedade democrática: como poderemos assegurar mais e melhores oportunidades para todos e, finalmente, como isso pode ser feito de maneira sustentável, de modo a assegurar as condições essenciais que permitam a continuidade dessa trajetória no futuro.

É importante, ainda, destacar que isso não se dará em prejuízo da economia. Pelo contrário: se fizermos as escolhas certas – incluindo, entre os critérios que definem uma cidade de sucesso, a participação da população na tomada de decisões, a qualidade da educação e da cultura e a preocupação com o meio ambiente, entre outras prioridades -, poderemos atingir um estágio de prosperidade semelhante ao de muitas cidades do primeiro mundo.

Para dar início a essa nova etapa do nosso desenvolvimento, o primeiro passo é tomarmos consciência de que o mundo mudou e, para enfrentar os novos desafios, as soluções do passado – embora tenham sido essenciais para chegarmos onde estamos -, não são mais suficientes. É preciso mudar.

Não se trata de uma mudança apenas institucional ou mesmo da relação entre a população e as instituições, públicas ou privadas. Trata-se de uma mudança essencial, focada no motor central de uma democracia: o processo de tomada de consciência de cidadania. Na medida em que mais cidadãos considerem seu dever contribuir para a melhoria da sociedade em que vivem, na medida em que mais pessoas entenderem a importância de sua participação ativa na defesa dos interesses comuns localmente, em suas ruas, bairros, cidades e regiões – sem as amarras ideológicas que terminam por submeter as decisões das comunidades a diretrizes partidárias divorciadas dos seus interesses, em um processo de aparelhamento nocivo à democracia – estaremos, então, dando o grande passo para assegurar que o futuro de nossa cidade será um futuro compensador para todos.

É preciso ter clareza acerca do que significa essa proposta, baseada nos conceitos do movimento denominado Ação Local, apoiado pela ONU, que procura ampliar a participação de todos nas tomadas de decisão. Não se trata de um assembleismo estéril, muitas vezes manipulado e focado apenas em questões pontuais, das quais este ou aquele partido político procura tirar proveito. Trata-se de uma ampliação da responsabilidade individual com relação ao coletivo. Trata-se de estimular a dinâmica social, fonte de energia empreendedora e rica em soluções tantos para os indivíduos, como para suas famílias e para as comunidades em que vivem. Voltaremos ao assunto.

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