O exemplo de Jundiaí

Jornal de Jundiaí, fevereiro de 2015


A estiagem prolongada vem afetando severamente várias regiões do País, obrigando muitas cidades a racionar o abastecimento de água, o que atinge a vida das pessoas, a economia e a produção agrícola. 

As causas da falta recorde de chuvas são complexas. No mundo inteiro, as pessoas assistem a fenômenos climáticos extremos, sejam enchentes, nevascas ou secas prolongadas. Sem dúvida, há um componente global em todos esses fenômenos, previstos pelos cientistas que estudam o desequilíbrio climático.
A esses fatores agregam-se outros, locais - embora, obviamente, com repercussões globais - como, por exemplo, o desmatamento recorde da Amazônia e a substituição da flora do cerrado, entre outros.

Esperamos que esse susto pelo qual passa a humanidade hoje faça com que os governos mundiais, finalmente, se deem conta da ameaça terrível que tais acontecimentos prenunciam.
É importante ter claro ainda que, complementarmente às ações dos poderes centrais, é preciso que iniciativas sejam tomadas também no âmbito local.

Nesse sentido, Jundiaí pode servir de exemplo, como, aliás, tem destacado a imprensa nacional. Todavia, mais do que ostentar uma condição diferenciada, em razão tanto da segurança em termos de abastecimento hídrico quanto da preservação no entorno da represa (razão primeira para a criação do nosso Parque da Cidade), nosso município oferece uma demonstração prática da importância da gestão pública exercida com visão de longo prazo.

Foi exatamente essa visão que nos fez avançar mais no abastecimento, no saneamento básico, na qualidade de vida e no desenvolvimento e dar um salto, nas últimas décadas, no ranking das cidades brasileiras, a ponto de estamos em 11º lugar - segundo levantamento feito a partir de dados da ONU, publicado pela revista Exame - entre as melhores cidades do Brasil para se viver.

O administrador público precisa entender que o seu trabalho tem de servir às pessoas no presente, mas tem também de atender as gerações que vão nos suceder. Para isso, a visão de longo prazo é essencial.

E, nesse quesito, Jundiaí tem dado, nas últimas décadas, um exemplo positivo. Não podemos deixar de ver também como pode ser educativo o exemplo contrário que o governo brasileiro apresenta. Já diziam os antigos: a árvore se conhece pelo fruto.
 
Miguel Haddad é deputado federal 

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