O Brasil que dá certo

Jornal de Jundiaí, janeiro de 2013

Nos últimos anos, a liderança econômica nacional da Região Metropolitana de São Paulo vem sendo desafiada com sucesso pelo desempenho das cidades do interior paulista.
No ranking do mercado consumidor brasileiro essa ordem já foi invertida. Estudo realizado em 2012 pela IPC Marketing (empresa especializada em mapear o potencial de consumo brasileiro) mostra que o consumo domiciliar das cidades do interior, nesse ano, chega a R$ 382,3 bilhões, equivalente a 50,2% do total do Estado de São Paulo, contra R$ 379,1 bilhões - ou seja, 49,8% - da Grande São Paulo.

O destaque maior se dá na geração de emprego. O Cadastro Geral de Empregados (Caged) de 2007 registra que 58% dos postos de trabalho com carteira assinada no Estado estavam concentrados na região metropolitana e 42% no interior. Em apenas quatro anos, o quadro mudou dramaticamente: os dados de 2011 indicam que, em termos de oferta de emprego, essa situação também se inverteu, com a região metropolitana recuando para 34,4% do total de vagas preenchidas, contra 65,6% no interior.

No ranking do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), de agosto de 2012, todas as 14 melhores escolas públicas do Estado, do 1º ao 4º ano, são do interior. E do 5º ao 9º ano, as dez primeiras também. Segundo o Instituto Trata Brasil, dentre as 20 cidades brasileiras com melhor saneamento básico, a metade é do interior paulista.
No caso de Jundiaí, por exemplo, como aponta levantamento realizado no ano passado pela SPR - Consultoria de Gestão e Inovação Empresarial, sobre aglomerados urbanos, que contou com a participação de professores da Unicamp, o PIB de Jundiaí cresceu 140% entre 1985 e 2009; no mesmo período, o crescimento do Estado de São Paulo foi de 73% e o do Brasil de 87%. E o que é mais importante: trata-se de um desenvolvimento continuado. Entre 1985 e 2009, a taxa anual média de crescimento do PIB de Jundiaí foi de 3,72%, contra 2,33% de São Paulo e 2,65% do Brasil.

Persistindo nesse caminho, conforme projeção feita pelo economista e ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) Luis Carlos Mendonça de Barros, por volta de 2020, a renda per capita de Jundiaí vai ser igual a dos Estados Unidos hoje.
Com a inflação ameaçando subir e o PIB brasileiro estacionado em penúltimo lugar na América Latina, o exemplo do interior de São Paulo aponta o caminho.


Miguel Haddad é advogado e ex-prefeito de Jundiaí

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