Jundiaí passa Curitiba e é a 1ª no Brasil

Jornal Bom Dia, setembro de 2013

Em vários levantamentos nacionais e internacionais, Jundiaí aparece sempre entre as cinco melhores cidades brasileiras. Mas, desta vez, rompemos uma barreira: em pesquisa minuciosa realizada pela revista Exame, com os 100 maiores centros urbanos do Brasil, que leva em conta os índices de saúde, educação, segurança, transporte, saneamento, desenvolvimento econômico e qualidade da gestão pública, Jundiaí ficou em primeiro lugar, à frente de Curitiba, até agora considerada “o” modelo de administração pública, que vem em segundo. É uma grande conquista.

Há 25 anos, nos levantamentos desse tipo, nossa cidade estava longe do topo. Ficava no pelotão médio, aqui em São Paulo, sem contar no ranking brasileiro. Muitos não viveram essa época. O que aconteceu em Jundiaí, nesse período, é impressionante. Saímos lá de baixo e hoje estamos em primeiro lugar. Foi um esforço tremendo, de toda uma geração, e, por essa razão, temos de dar os parabéns ao povo de Jundiaí por essa conquista.

As pessoas, vendo essa posição que Jundiaí ocupa, tendo em vista os problemas que enfrentamos, podem até pensar: mas Jundiaí não é esse paraíso. De fato. Como sempre digo, temos de entender que Jundiaí é uma cidade brasileira, que tem os problemas comuns às cidades brasileiras. Não por outra razão, a matéria da Exame se intitula: “A dura realidade das nossas cidades”.
Sendo nosso País como é, não podemos alcançar excelência agindo apenas localmente, particularmente em setores que dependem da ação do governo federal, como saúde e transporte. Na saúde, o Brasil, como um todo, vive uma tragédia. Em muitas cidades importantes, os hospitais públicos são umas pocilgas. Para se ter uma ideia da situação falimentar da saúde, nacionalmente, o número de leitos do SUS, ao invés de aumentar, está diminuindo.

Aqui em Jundiaí, conseguimos ter dois hospitais municipais atendendo pelo SUS, o que é inédito para uma cidade do nosso porte. São bons hospitais. Mas vivem superlotados com pacientes que vêm de lugares onde não tem atendimento satisfatório. E, enquanto não houver bom atendimento lá, o atendimento aqui vai sofrer com isso.
No transporte, a situação das cidades brasileiras é dramática. O governo federal arrecada quase a metade do preço de um carro novo em impostos. Para fazer caixa, tem uma política equivocada, de promover a venda de automóveis ao invés de promover o transporte público. Não vamos esquecer que as manifestações de junho começaram com um protesto por causa da questão do transporte urbano.

Para tentar compensar a falência do governo federal e evitar a degradação do atendimento, os administradores públicos municipais precisam investir pesadamente nessas áreas. Jundiaí, por exemplo, investe a maior parte do seu orçamento na área da saúde e, todavia, este continua a ser um dos nossos maiores problemas.
Nas áreas sob a responsabilidade direta do governo municipal, no entanto, nas cidades bem administradas, os avanços são consideráveis. Em termos de educação, saneamento básico desenvolvimento econômico, mortalidade infantil e qualidade da administração pública, por exemplo, Jundiaí tem muito a mostrar e daí, principalmente, vem a nossa posição na pesquisa.

Conseguir ser a primeira cidade brasileira em uma avaliação externa, e isenta, honra a todos. Vamos lutar para manter a dianteira. E esperar que o Estado brasileiro mude, consiga soltar as suas amarras e possa avançar como a nossa cidade.
 
Miguel Haddad é ex-prefeito de Jundiaí

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