Jundiaí e o primeiro mundo

Há algum tempo mencionei aqui uma pergunta que surgiu durante conversa com alguns estudantes jundiaienses. Se a nossa cidade alcançaria, em algum momento, um nível de desenvolvimento que nos permitisse ter as mesmas oportunidades de um cidadão do chamado Primeiro Mundo.

O economista Yoshiaki Nakano, em artigo publicado em 15/6/08, na Folha de São Paulo, faz pergunta semelhante, ao indagar se algum dia o povo brasileiro poderá desfrutar do mesmo padrão de vida dos países desenvolvidos.

Segundo ele, essas deveria ser a nossa preocupação principal. Foi a existência dessa mentalidade em países de natureza tão distinta como Japão, Tailândia, China e Índia que lhes permitiu o seu extraordinário desenvolvimento.

Essa discussão surge agora no Brasil como resultado da divulgação do Relatório de Crescimento da Comissão sobre o Crescimento e Desenvolvimento, realizado com o apoio da Austrália, Holanda, Suécia e Reino Unido, do Bando Mundial e de uma fundação privada norte-americana.

A comissão encarregada da elaboração do Relatório, presidida, como informa Nakano, por Michael Spence, Prêmio Nobel da Economia, definiu como casos de sucesso países que por um período de 25 anos, pelo menos, cresceram 7% ou mais ao ano. Isso ocorreu em 13 países, alguns de maneira continuada, outros, de maneira episódica, como é o caso do Brasil, que manteve esse ritmo por quatro décadas até 1980, quando então ocorreu uma desaceleração do nosso crescimento.

De lá pra cá, somente nos últimos anos, após a estabilização da economia, fundamentada no Plano Real e na Lei da Responsabilidade Fiscal, voltamos a crescer com taxas, se não iguais às anteriores a 1980, pelo menos maiores do que aquelas vigentes no período pós-80 até recentemente. O fato é que, nos últimos 25 anos, a renda per capita brasileira cresceu 0,5% ao ano. Para conseguirmos alcançar novamente a estrada que nos permite chegar ao Primeiro Mundo, segundo o relatório, a renda per capita teria de crescer, de maneira sustentada, 5,3% ao ano. Para isso, a taxa de desenvolvimento nacional precisaria alcançar os 6% anuais.

Isso é possível. Para tanto, precisamos ter, prioritariamente, a mesma preocupação dos estudantes jundiaienses, quando me perguntaram se algum dia chegaríamos lá. A resposta a essa pergunta deve ser a questão central da nossa atuação política, seja em termos nacionais, estaduais ou municipais. Afinal, nosso País já cresceu, por quatro décadas, 7% ao ano e não há razão pela qual não possamos voltar a fazê-lo. Como tudo na vida, depende de nós.

É importante destacar que o esforço para alcançar essa meta não pode ser considerado uma tarefa que caiba, exclusivamente, ao Governo Federal. É verdade que sua atuação é preponderante e, infelizmente, os sinais que Brasília emite não apontam nessa direção, uma vez que a Lei da Responsabilidade fiscal, um dos pilares da estabilidade econômica nacional, acaba de ser praticamente desfigurada, com a aprovação em primeira instância na Câmara Federal de um projeto de lei de autoria de um deputado do PT do Rio Grande do Sul.

Mas, sem dúvida, há muito o que se pode fazer, localmente, Jundiaí, em razão da obediência aos fundamentos econômicos da LRF antes mesmo de sua aprovação e à continuidade administrativa, conseguiu manter uma taxa de investimento público constante, que permitiu à nossa cidade crescer em média mais do que a maioria das cidades brasileiras, mesmo no período em que o país crescia ao ritmo de 0,5% ao ano.

Com o atual crescimento da economia brasileira, nossa cidade está pronta para dar um salto, de modo a assegurar aos jundiaienses, em um futuro próximo, uma qualidade de vida comparável a dos melhores municípios do País e uma economia capaz de ampliar, de maneira sustentável, nossas oportunidades de desenvolvimento. Se todos fizermos a nossa parte, lutarmos pelos interesses da cidade, dermos prioridade à eficiência administrativa e à educação, ao estímulo da leitura e ao ensino da matemática e das ciências, poderemos dar, juntamente com outras cidades de sucesso, uma contribuição decisiva para tornar o Brasil uma nação com o mesmo padrão de vida dos países desenvolvidos.

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