Despoluição do rio Jundiaí: como um sonho pode virar realidade

Novembro de 2013

 
Há trinta anos, o rio Jundiaí, um curso d’água de 123 km que nasce na Serra dos Cristais e passa, a partir daí, por seis cidades até desaguar no Tietê, era considerado um dos mais poluídos do Estado. Naquela época, quem falasse em despoluí-lo, caso do jornalista Jayme Martins, era considerado, no mínimo, um sonhador.

Mas o sonhador encontrou um fazedor. Logo no início da sua primeira administração como prefeito de Jundiaí, André Benassi teve a ousadia de enfrentar as críticas que se fazia, então, ao projeto e deu início ao processo de despoluição do rio, em seu trecho local. Um passo pioneiro, seguido pelas administrações que o sucederam, que levou nossa cidade a se destacar nacionalmente pela qualidade do seu saneamento básico.

Hoje, praticamente 100% do esgoto jundiaiense é coletado e tratado, os resíduos, higienizados, são utilizados como insumo na agricultura e a água volta ao rio limpa. É bonito ver, na estação de tratamento, a água retornar, cristalina, à sua origem.
A iniciativa jundiaiense, que eliminava o lançamento de esgotos no rio na sua passagem por nosso município, somada às estações de tratamento que foram instaladas ao longo do tempo em Indaiatuba, Itupeva e Salto, precisava, todavia, ser complementada com saneamento igual nas duas cidades restantes.

Na última terça-feira, dia 19, com a inauguração, pela Sabesp, do sistema de tratamento de esgoto de Várzea Paulista e Campo Limpo Paulista, um dos mais modernos do interior do Estado, esse problema foi resolvido. Várzea Paulista, que tratava 2% do seu esgoto, passou a tratar 94,4%, e Campo Limpo Paulista, que tratava 1%, passou a tratar 77,5%.
O que aconteceu com o rio Jundiaí encerra uma lição. Mostra a forma verdadeira de fazer avançar a ação social promovida pela administração pública: com planejamento, fixando metas de longo prazo, cumpridas, sem interrupção, por sucessivas administrações. Assim, e só assim, sem o imediatismo populista, é possível colher os frutos, de maneira sustentada, dessas iniciativas.

Essa é, reconhecidamente, a marca de Jundiaí, que fez nossa cidade ser considerada, como mostrou extensa pesquisa publicada pela revista Exame em setembro deste ano, a melhor cidade, entre as 100 maiores do Brasil, passando à frente da festejada Curitiba.
Como diz o poeta Fernando Pessoa, “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”.

Miguel Haddad é ex-prefeito de Jundiaí

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