Contra o aquecimento global

Na última sexta-feira, dia 16, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU concluiu seu relatório sobre o estado do clima no planeta. Segundo o relatório, a temperatura da Terra pode subir entre 1,1º C e 4º C até 2100, com o derretimento das camadas polares fazendo os oceanos se elevarem entre 18 cm e 58 cm no período. Para se ter uma idéia do que isso significa, uma elevação de 2º C na temperatura da Terra colocará em risco de extinção um terço das espécies do mundo, modificando o meio ambiente planetário de maneira tal que 1 bilhão de pessoas estarão vulneráveis à fome, à sede e a doenças. O Painel alerta para a necessidade de medidas concretas contra o aquecimento global, caso contrário, os impactos serão "irreversíveis". Não agir neste sentido seria, como diz Yvo de Bôer, chefe da Agência de Mudanças Climáticas, "criminoso".

Apesar das advertências dramáticas que vêm sendo feitas pelos cientistas especializados no assunto, para a maioria das pessoas o aquecimento global ainda é, no entanto, uma coisa meio exótica, que acontece nos pólos, em geleiras distantes, ou então em ilhas que desaparecem, encobertas pelo mar, na Polinésia, do outro lado do mundo.

É claro que temos consciência da interconexão global existente entre cada um desses sinais e nos afligimos com os prejuízos causados às pessoas que vivem nesses locais longínquos e, também, com o seu significado, pois sabemos que, mais dia menos dia, se não se fizer alguma coisa, seremos nós que iremos sofrer os efeitos desse fenômeno, o que nos leva a ficar de olho nas autoridades mundiais, aguardando as suas providências no sentido de impedir o alastramento dessa ameaça.

Frente à terrível verdade que se evidencia, muitos governos estão, de fato, agindo no sentido de diminuir as emissões de carbono, fonte primária do aquecimento global. Todavia, embora seja um passo importante, isso não é suficiente. Na verdade não será possível enfrentar o chamado Efeito Estufa sem que mudemos os nossos hábitos de consumo e de relacionamento com a natureza.

Nesse sentido, a boa notícia vem de uma outra pesquisa feita pelo Serviço Mundial da BBC, a emissora estatal de rádio e televisão do Reino Unido, recém-divulgada, na qual foram ouvidas 22 mil pessoas em 21 países, entre eles o Brasil. Segundo a pesquisa, quatro em cada cinco pessoas, em todo o mundo, estão dispostas a mudar o seu estilo de vidas para combater aquecimento. Entre os brasileiros, 76% consideram necessário agir com urgência. Ao todo, globalmente, dois terços acham que "é preciso tomar medidas importantes e começar logo". Ou seja: nós, habitantes

Em primeiro lugar, entender que essa vitória global tem de ser conquistada localmente. E, para isso, é preciso que as pessoas, em suas cidades, comecem a se engajar nesse esforço mundial. Em Jundiaí, o Instituto Jundiaí Solidária, em parceria com vários veículos de comunicação, está preparando uma campanha no sentido de informar a todos como podemos contribuir de maneira objetiva, no dia-a-dia, para diminuir o aquecimento do clima terrestre.

A idéia é franquear informações simples e eminentemente práticas, através da distribuição em estabelecimentos comerciais, clubes e outras organizações de um panfleto com uma lista de 10 coisas que cada um de nós pode fazer para diminuir o aquecimento global. A campanha, além de divulgar essas medidas, servirá também para promover a idéia da importância da ação local, uma vez que, como já dito, diminuir a emissão de poluentes não depende apenas de decisões tomadas pelos poderes centrais, mas, de maneira fundamental, da atuação consciente de cada um de nós.

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