Coisa de paulista

Jornal de Jundiaí, abril de 2014


A expressão “coisa de paulista” deve ter surgido em razão do pioneirismo do nosso Estado na industrialização e engajamento no livre mercado. Por causa disso, ficamos, tanto aqueles que nasciam aqui como aqueles que vieram para cá, com a fama de empreendedores, desejosos de subir na vida e ganhar dinheiro.


Com o tempo, acompanhando o crescente dinamismo da economia nacional, o que antigamente era coisa de paulista passou a ser coisa de brasileiro. Segundo pesquisas recentes, somos um dos povos que mais anseiam empreender no mundo.


No entanto, a realidade tem se mostrado madrasta. Mesmo com a estabilização da moeda e o enorme superávit resultante do aumento internacional do consumo e dos preços de produtos primários brasileiros, que nos permitiu acumular uma reserva em dólares de cerca de 370 bilhões, a economia volta a dar sinais de retrocesso e a grande esperança de podermos, finalmente, nos tornar um país avançado, diminui.


Na contramão desse cenário preocupante, regiões como o interior de São Paulo contam uma história de desenvolvimento econômico e social, com aumento recorde da renda per capita e melhoria patente em educação, saneamento básico, inovação e pesquisa.


“É por aqui”, parecem dizer nossas cidades. Mas, alheio aos fatos, o governo federal se mantém surdo, encastelado em suas certezas ideológicas, e colhe os resultados do que planta.


Se, por um lado, temos, como acontece com as nações desenvolvidas, uma economia ancorada no dinamismo das empresas, que geram renda e emprego - e nunca é demais lembrar que o que diminui a injustiça social é exatamente isso, aumento de salário e renda - por outro temos um governo ideologizado, sem transparência, manipulador, mergulhado em uma ininterrupta avalanche de escândalos, cujos frutos são inflação, paralisia econômica e a derrocada de companhias como a Petrobrás e a Eletrobrás.


Juntando os dois, o Brasil parece um automóvel que tenta acelerar com o freio de mão puxado. Não fosse isso, o interior paulista seria a regra e não a exceção.
Aqui, o maior gerador de empregos não é o Estado, mas a empresa e o quem tem de crescer não é a máquina estatal, mas a economia. O resultado da gestão pública se vê na melhoria da qualidade dos serviços e da infra-estrutura, e não em rombos financeiros. Decisões são pragmáticas e não ideológicas.


No livro que acabo de lançar, por isso denominado “Coisa de paulista”, esse é o tema.



Miguel Haddad é ex-prefeito de Jundiaí

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