Coisa de hippie

Décadas atrás a ecologia era liminarmente descartada pelos chamados "bem pensantes" e seus defensores eram chamados de "ecochatos". O ex-presidente Bush, pai do atual, chegou a dizer que Al Gore, um dos primeiros a alertar a população para os riscos do aquecimento global, era um "maluco de carteirinha".

Como diz o pensador italiano Antonio Gramsci, "O presente é, em si mesmo, uma critica intrínseca ao que aconteceu". Atualmente, até os mais céticos são forçados a admitir que os ambientalistas tinham razão. O "Efeito Estufa" é simplesmente a maior ameaça à sobrevivência jamais enfrentada por nossa espécie e a ecologia é hoje uma questão central.

No entanto muitas pessoas, algumas em posição de máxima liderança, continuam, em uma miopia política de nefastas consequências, a ignorar esse problema, sem se preocupar com o futuro da espécie e de suas biografias, autocondenando-se ao descrédito e à execração das gerações vindouras, como ocorre hoje com o Bush autor da frase infeliz, acima mencionada.

Não há tempo a perder. Na verdade, o mundo está bem atrasado. Mas, segundo relatório feito pela ONU, recentemente divulgado, ainda podemos evitar o pior, desde que todos façam a sua parte. Nesse sentido, o movimento denominado Ação Local, que procura contrabalançar os efeitos da globalização valorizando o papel de cada pessoa e de cada comunidade, é um instrumento essencial.

Temos de nos tornar, todos, "ecochatos", "hippies" e "malucos de carteirinha", cuidando, e procurando fazer com que os demais também cuidem, de minimizar o impacto ambiental da ação humana sobre o meio ambiente. E há muito que fazer. Plantar árvores, reciclar materiais, selecionar o lixo, cobrar ações dos governantes, procurar informações na Internet e disseminá-las, participar ativamente de entidades que lutam pela preservação, são apenas algumas das inúmeras maneiras de agir, impelidos pela consciência da gravidade do problema.

Cada dia, daqui para frente, será uma jornada pela defesa do Planeta. Na verdade, essa frase encerra uma imprecisão na medida em que o Planeta, em si, não está ameaçado, uma vez que continuará a rolar pela imensidão do espaço independente do que aconteça à espécie humana. Estamos lutando, na verdade, não pelo Planeta, mas por nós.

É por essa razão que estamos assistindo, atualmente, a uma proliferação de entidades ligadas à questão ambiental. As gerações futuras agradecem. O militante ecológico é hoje reconhecido pela importância de sua causa e as organizações sociais da qual ele participa estão reunindo dados, fazendo campanhas, mostrando o que podemos fazer, como cidadãos, para nos engajarmos nessa luta pela salvação da Humanidade e da Civilização. O Instituto Jundiaí Solidária, do qual participamos, embora modesto, vai fazer a sua parte. Estamos, no momento, empenhados em planejar ações de conscientização e divulgação do que pode ser feito, localmente.

Mas, independente do que possamos fazer seguindo as informações das instituições e entidades das quais fazemos parte, essa batalha somente será vencida se cada um procurar, além disso, à sua maneira e junto à sua família e à sua comunidade, encontrar caminhos próprios para implantar a consciência ecológica naqueles que lhe são próximos.

Não há idade para entrar nessa campanha. Nem há necessidade de seguirmos nenhuma liderança. Esse é um problema de todos e a solução está na participação consciente de cada um.

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