A blindagem dos chefes

Jornal de Jundiaí, setembro de 2015

Em chinês, a palavra “crise” é escrita com dois caracteres. Um representa perigo e o outro, oportunidade. De fato, quando observamos o desenrolar da crise brasileira, fica claro que se trata de um período que nos oferece a oportunidade histórica de passar o Brasil a limpo.
Graças à atuação do Ministério Público Federal e ao juiz Sérgio Moro temos visto - o que era impensável há poucos anos - figurões que antes mandavam no País serem levados às barras dos tribunais, muitos sendo condenados a anos de prisão, pela montagem, em conluio com os partidos no poder, de um sistema institucionalizado de propinas.
A força das instituições, resultado do processo de democratização do País, mostra aí a sua importância e nos deixa mais confiantes na possibilidade de, por um lado, aprender a lição, renegando as políticas populistas que nos levaram à crise econômica e, por outro, acabar com a certeza da impunidade, que permitia a esses figurões manipularem, de acordo com seus interesses, os recursos públicos.

No entanto, é preciso ter claro que essa oportunidade não está sendo cabalmente aproveitada. Como todos sabem, há uma blindagem, promovida pelo governo Dilma e por seu partido, que impede o cerco aos chefes políticos desse esquema.
Isso é visível no Congresso. Na CPI do BNDES, da qual sou vice-presidente, assim como em tantas outras instâncias, o governo e o PT usam todo o poder de que dispõem para blindar figuras como o ex-presidente Lula. Trata-se de uma manobra que não se sustenta nos fatos, mas nos interesses.
Afinal, como seria possível que bilhões e bilhões de reais fossem desviados, sendo que parte dessa dinheirama ia diretamente para os cofres do PT - como ficou comprovado agora com a condenação do seu tesoureiro, Vaccari Neto -, sem que o comandante do partido tivesse a menor noção de que isso estava ocorrendo? Mesmo uma criança sabe que isso é impossível.

Encastelado na administração federal, tendo promovido o aparelhamento sistemático de diversas instituições e subsidiado movimentos que contam com seguidores remunerados ou fanatizados pela propaganda ideológica, o PT, embora seja hoje repudiado pela maioria esmagadora do povo brasileiro, faz de tudo para preservar o seu líder e manter-se no poder. O partido sabe que se a verdade inteira aparecer estará liquidado.
Para construirmos um País melhor só há um caminho: unir as vozes da oposição no Congresso às da população, nas ruas e nas redes sociais, e fazer valer a força do povo brasileiro.
Nosso futuro será decidido agora.
 
Miguel Haddad é deputado federal

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