Até quando?

Jornal de Jundiaí, agosto de 2015

A atual situação brasileira já foi descrita como um filme de horror que não termina. Como se não bastasse o aumento do desemprego, a inflação fora de controle e a recessão econômica que pode durar anos, nosso maior parceiro comercial, a China, se depara com uma turbulência que pode levar a economia mundial a uma nova crise.
O que fazer? A resposta é uma só: reconhecer a gravidade do momento e tomar as providências necessárias para enfrentar a adversidade. Temos de agir já para evitar o pior, ou seja, o comprometimento do futuro do nosso País.

Essas providências não são muito diferentes daquelas que tomam as famílias que atravessam grandes crises. Cortam gastos, privam-se do que não é essencial e buscam maneiras de melhorar a renda, procurando encarar com realismo a situação. Assim deveria proceder a Nação. Caso contrário assistiremos a um retrocesso histórico, capaz de prolongar, por gerações, o nosso subdesenvolvimento.

Infelizmente, neste momento crítico, temos na presidência da República uma figura incapacitada para liderar a execução dessa enorme tarefa. Sua credibilidade - condição essencial para fazer frente a esse desafio - é próxima do zero. Não há um só brasileiro consciente que não se sinta logrado pela farsa montada em sua campanha eleitoral. Mesmo agora, desmascarada pela realidade dos fatos, tem a coragem de dizer que só depois das eleições é que se deu conta da situação.
Seu partido, execrado pela população por sua irresponsabilidade arrogante e pela corrupção sistemática e institucionalizada promovida por seus dirigentes, ao invés de lhe servir de esteio, é parte do problema.

Não por outra razão, o vice-presidente Michel Temer, que depois lamentou seu momento de honestidade, declarou que o Brasil precisa de “alguém [que] tenha a capacidade de reunificar a todos”. Viu o que o povo vê: a permanência de Dilma Rousseff no cargo sufoca o País. Serve aos seus interesses e aos interesses de seu partido e não ao interesse nacional. Fosse quem diz ser, faria o grande gesto e renunciaria.

Ao ver o risco que corremos ao retardar esse desfecho, lembro-me de um discurso de Churchill alertando o seu país acerca das consequências da demora em reconhecer o perigo nazista, no qual terminava dizendo que, em razão dessa procrastinação, os seus compatriotas corriam o risco “de ter de ouvir duas palavras terríveis: tarde demais”.
Quase acontece lá. Espero que não aconteça aqui.

Miguel Haddad é deputado federal

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