A Amazônia e Jundiaí

A globalização não é uma ação planejada, mas a consequência do aumento da interação entre pessoas, cidades, países e continentes, física e virtualmente.

Nos dias de hoje, o que acontece em um determinado local tem muito mais possibilidade de gerar efeitos que podem se propagar por toda a superfície terrestre.

O exemplo mais contundente dessa condição é o aquecimento global, de origem disseminada, e que já afeta a vida de todos de maneira dramática, prenunciando-se como a maior ameaça já enfrentada pela humanidade.

Até pouco tempo, a vida era mais simples. Pensava-se acerca das consequências de uma medida, ação ou programa quase que exclusivamente sob o ponto de vista local.

Nesse sentido, administrar uma cidade, hoje, é um desafio muito mais complexo. Nos preocupamos com o trânsito, com o saneamento básico e o abastecimento de água mas, também, com a Amazônia, mesmo sabendo-a relativamente distante, pois entendemos que o nosso regime de chuvas depende de suas florestas assim como a sua preservação depende do estilo de vida que adotamos.

No mundo atual não apenas o administrador público ou o agente político vêem-se na obrigação de ampliar, globalmente, a sua visão, como também cada um de nós, cidadãos, desempenhamos um novo e importante papel, estejamos conscientes ou não disso.

E mais: embora sejamos parte de um mundo globalizado, somos, como todos, também parte de um mundo local.

A percepção dessa dualidade é essencial para que possamos encaminhar, no presente, soluções que os permitam ter um desenvolvimento sustentado, pois não se pode imaginar mais que uma cidade se desenvolva de fato, sem que seja uma cidade de sucesso mundial, capaz de competir internacionalmente e, ao mesmo tempo, não se pode avançar dentro dessa perspectiva sem a efetiva participação dos cidadãos.

Essa mudança é essencialmente uma mudança cultural. Ao invés de aguardar a ação do Estado, como protagonista, temos de fazer com que a própria sociedade assuma esse papel, através de instituições sólidas e eficientes.

Essa transformação não depende deste ou daquele partido político, nem jamais será conquistada pela ação de um salvador da Pátria.

Trata-se de uma mudança essencialmente local, a partir da própria comunidade, com a inclusão cada vez mais ampla da população no processo de tomada de decisão e incentivada a estabelecer as suas próprias prioridades e a arregaçar as mangas para realizá-las, tomando iniciativas, empreendendo, assumindo responsabilidades, aduzindo competências inéditas e alavancando recursos novos.

Historicamente, o processo que deu origem à civilização moderna decorreu, entre outras razões - muitas de caráter aleatório, como se dá com a globalização -, a partir do surgimento das cidades, na Idade Média.

O cidadão (ou seja, o que vive na cidade) em razão do grau de liberdade que gozava, foi um importante agente desse passo decisivo, dado pela humanidade.

O novo passo rumo a uma sociedade que viva com maior liberdade e responsabilidade, em uma democracia a cada etapa mais aprofundada, depende também, fundamentalmente, da ação da cidadania.

Uma ação que vise melhorar o mundo, pois esse é o papel da política, e também a sua cidade.

Agir em benefício de Jundiaí, no nosso caso, mas também pensar naquilo que é importante para o Brasil e para o Planeta, como faz, neste momento, uma entidade da sociedade civil, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em defesa da Amazônia, com a sua nova Campanha da Fraternidade, exemplo de participação.

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