A destruição criativa

Jornal de Jundiaí, maio de 2013

Karl Marx, em uma frase que ficou famosa, escreveu, no Manifesto Comunista, que “tudo o que é sólido se desmancha no ar”. No populismo, esse desmanche é ainda mais rápido. Esgotados os recursos utilizados para financiar benefícios passageiros, que asseguram a popularidade - e reeleições - aos caudilhos, a economia perde sustentabilidade. É o famoso “voo de galinha”, que mantém a América Latina no subdesenvolvimento.

Agora mesmo a Argentina e a Venezuela - e, de certa maneira, o Brasil - repetem esse erro secular. Na Venezuela, a anemia econômica da nação tornou o recém-eleito presidente objeto de chacota mundial, ao declarar que a revolução bolivariana iria resolver o problema do papel higiênico, símbolo da crise de desabastecimento que assola o País.

Na Argentina, a presidenta monta uma articulação para mudar a constituição, de modo a poder reeleger-se pela terceira vez. Com popularidade em baixa, ela está contando com ações como o tabelamento do dólar, controle da imprensa e a quantidade de companheiros empregados no governo. Não é por outra razão que, lá, o Estado é hoje o maior empregador.

No Brasil, uma pesquisa recente sobre o IDF (Índice de Desenvolvimento das Famílias), instituído por Fernando Henrique Cardoso, mostra que, numa escala de 0 a 1, apenas 0,29 das famílias pobres atendidas por auxílios governamentais conseguem sair da pobreza. E isso se dá porque conseguem se inserir no mercado. Ou seja: o que tira a pessoa da pobreza, o que distribui, de fato, renda, é o salário e o empreendendorismo. A grande obra social é o desenvolvimento econômico sustentável, que garante oportunidades para todos subirem na vida.

O livre mercado utiliza o axioma marxista para avançar, por meio da chamada “destruição criativa”. O que se desmancha é o que se tornou obsoleto. Por força da competição, a inovação continuadamente toma o lugar do velho, criando novas fontes de lucro e de empreendendorismo. Essa capacidade de adaptação assegura a sustentabilidade do sistema e permite substituir os ciclos de retrocesso pelos ciclos de avanço.
Jundiaí é um exemplo da importância da gestão pública voltada para a sustentabilidade. Durante os últimos 25 anos, esse foi o nosso mantra. Daí, o investimento em infraestrutura e em ações com visão de longo prazo.

Mostrando o acerto desse alinhamento, na contramão do que vem acontecendo com o País, as exportações do município cresceram mais de 50% entre os meses de abril e maio - conforme reportagem deste Jornal em 28 de maio.
 
Miguel Haddad

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