2014: você decide

Jornal Bom Dia, dezembro de 2013

Com a estabilização da economia a partir do Plano Real, o Brasil criou condições para dar um salto em seu desenvolvimento. E, quando isso aconteceu, foi saudado por seu desempenho. Renascia aí a esperança de nos tornarmos um País mais justo, com mais oportunidades para todos.
Todavia, nos últimos anos, essa conquista tornou-se mais e mais incerta. Na realidade, índices recentes – contração do PIB e queda enorme nos investimentos – não indicam mais sequer paralisia econômica, mas nefasto retrocesso.

Os observadores já lamentam a oportunidade novamente perdida, aludindo ao chamado “voo de galinha”, como é denominado o voo sempre curto da economia nacional, que nos condenou ao subdesenvolvimento.
Por que isso acontece? É claro que o dogmatismo ideológico do PT contribuiu para o retorno dessa condição. Como disse o poeta Ferreira Gullar, agem num país de economia capitalista, contra o capitalismo. Como se fosse um carro cujo motor está acelerado, mas o freio de mão puxado.
Contudo, a busca das causas da nossa situação não deve parar aí. Trata-se de uma questão mais ampla, estudada por sociólogos e historiadores, ligada à cultura nacional. Temos dificuldade em assumir que o desenvolvimento se dá na medida em que a economia, o mercado, os negócios e as empresas crescem.  Daí, aqueles que ousam empreender, assumir riscos e, com isso, gerar empregos, mais oportunidades e riqueza em geral -- estimulados desde os bancos escolares em países avançados -- não serem vistos aqui como parte da solução, mas como fonte de nossas mazelas.   
                                                                      
O que pode nos tirar desse atoleiro histórico e nos permitirá diminuir de fato a pobreza e aumentar a renda de todos, de forma duradoura, é a confiança dos empreendedores em empenhar seus recursos criando negócios. Para se ter uma ideia, recente relatório do Sebrae mostra que, no mês de outubro, micro e pequenos empreendedores criaram 101 mil empregos. Em um único mês criaram mais empregos do que o total de funcionários da Petrobrás, 85 mil.
Há uma usina de força que pode fazer nossa economia deslanchar de fato, de forma permanente, e não se trata de uma novidade, nem mesmo de uma invenção local: foi assim que os demais países avançados conseguiram essa posição. Dezenas deles.

Para o Brasil alinhar-se de vez no pelotão de frente das nações do mundo é preciso que mais e mais pessoas se deem conta de que o Estado deve ter um papel regulador, indutor, deve propiciar um sistema jurídico que respeite o cidadão e torne a justiça uma coisa real, um Estado em que as pessoas se sintam confiantes e livres para tocar as suas vidas e acreditar no futuro. Não se trata de Estado mínimo ou máximo, mas de Estado eficaz, inteligente, livre de dogmas ideológicos, pragmático, que não se deixe levar pelo populismo.
No ano que vem, com as eleições, vamos ter, novamente, a oportunidade de levar o Brasil para esse caminho. Vamos continuar com o populismo, com o “voo de galinha”, ou fazer a grande mudança?                 
Você decide.
 
Miguel Haddad é ex-prefeito de Jundiaí

Entre em contato!